Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Múcio Sá

 

Concerto com Múcio Sá

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 A Salva, conjuntamente com a Câmara Municipal de Cascais,

tem o prazer de convidá-lo para o concerto com Múcio Sá

(música original instrumental com influências de fado e flamenco)

a realizar-se no dia 21 de Março, sexta-feira, às 18:00,

no auditório do Centro Cultural de Cascais - O Gandarinha.

A entrada é livre.

 

O local situa-se em:

Av. Rei Umberto II de Itália, Cascais.

Edifício inserido no "triângulo" da Fortaleza da Cidadela e

da Igreja Paroquial de Cascais -

- tem a rotunda a dividir estes dois edifícios.

O Centro Cultural de Cascais é um edifício de fundação setecentista,

um antigo convento, as suas fachadas geminadas triangulares

de cor rosa chamam a atenção até pela entrada

com a porta em vidro e em arco.

 

Apareça.

 

publicado por salvamedtrad às 17:49

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Terça-feira, 4 de Março de 2008

Alquimia

 

A Alquimia das Emoções

 

 

 A vida é um Forno Alquímico onde transmutações são possíveis e onde a matéria se liga ao Espírito.

Para se viver bem há que ter a capacidade de fazer com que o amanhã seja diferente do dia de hoje e não um prolongamento do já vivido.

O segredo está em saber que a vida é um percurso que nos conduz a um objectivo previamente determinado.

Há três maneiras de estar na vida: a recordar o passado, a sonhar com o futuro ou aproveitando a verdadeira realidade que é o presente. Este presente também pode ser vivido de três formas: esperando que aconteça, vendo acontecer ou provocando o acontecimento.

Temos de assumir o papel de actores principais do nosso filme da vida, sem deixarmos que nos transformem em actores secundários, para passar a porta do colectivo para o pessoal consciencializando-nos de que somos entidades cósmicas, uma parte da Energia Divina com uma missão específica trabalhando através do plano manifestado concretizando “O Grande Projecto Global”.

A aceitação incondicional das imposições da vida atrasa-nos no caminho, servindo no entanto como estímulo para que o percurso se faça de forma consciente.

Nós escolhemos o caminho que necessitamos percorrer para alcançar objectivos pessoais ou de grupo sem que nada nos tenha sido imposto. Através do livre arbítrio introduzimos novos dados ou alteramos o percurso sem nunca modificar o objectivo, para no final sermos examinados pelos Mestres.

Os dois sentidos do caminho são: a expansão e a concentração.

A expansão é global, o branco que nada define mas tudo engloba. A concentração é pessoal, o preto onde tudo se concentra e se une num todo. Os dois são o pulsar do Universo, onde o Bem e o Mal não existem, pois as acções são causas que têm como objectivo provocar um efeito.

A lei do retorno diz-nos que toda a acção gera reacções que retornam à origem em triplicado. Esta lei rege o erro que não passa de uma má opção do livre-arbítrio.

As condições que nos permitem realizar o nosso percurso, que é interior, estão à nossa disposição. Esse percurso é composto por três ciclos regidos por Saturno, com uma duração de 28 anos cada: no 1º aprendemos, no 2º construímos, no 3º realizamos.

 

“Somos uma partícula de Energia Divina que, se trabalhar correctamente os quatro Elementos do Mundo Manifestado, regressará à Origem.”

 

Cada um destes períodos é dividido em quatro ciclos menores com uma duração de sete anos cujo trabalho incide sobre os Quatro Elementos. No primeiro, trabalhamos sobre a Terra e iniciamos a formação. No segundo, trabalhando sobre a Água, faz-se a expansão. No terceiro, trabalhando sobre o Fogo, desperta-se a emoção. No quarto, trabalhando o Ar, consegue-se a projecção.

Ao repetir-se o trabalho em cada ciclo de Saturno, completa-se a Obra de Purificação dos Quatro Elementos preparando-nos para o grande casamento Alquímico, a fusão dos três princípios: o Sal, o Enxofre e o Mercúrio filosóficos ou a Razão, a Expressão e a Emoção, os três princípios que regem a vida nesta dimensão, ficando assim a Obra completa dando a possibilidade de passar a grande Porta do Mundo para nos libertarmos da aparente Lei da Morte.

 

 Bibliografia: "Alquimia Vegetal" - José Medeiros - Editora Pergaminho.

 

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publicado por salvamedtrad às 14:00

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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

MEDITAÇÃO: Apelo ao despertar da Alma Portuguesa.

 

"Unir Portugal à Alma Portuguesa é unir cada Português à Luz da sua Alma."

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Unir Portugal à Alma portuguesa
 
A Alma é a forma própria de Sentir
e receber o Mundo.
 
Unir Portugal à Alma portuguesa
é unir cada Português à Luz da sua Alma.
 
A Alma portuguesa provou ser uma Alma mística,
poética, visionária,
sempre inspirada por um Mito de expansão Universal.
 
Mito já foi assim definido: “uma projecção ideal, totalizante, indispensável,
 como motor gerador de transformação”.
 
O Mito leva os Homens a transcender
as limitações dos seus Egos solitários.
 
A História de Portugal, sempre se processou              
pelo nascimento, expansão e morte de um Mito,
pela sucessiva recriação de um Mito novo.
 
 
No século XX o Mito Português perdeu a força,
a sua dimensão Ideal,
fragmentou-se em Mitos “menores”:
 
o mito da razão, o mito da Ciência materialista,
o mito da tecnologia, o mito do comunismo,
o mito do Imperialismo americano,
o mito do futebol…
 
O séc.XX foi um Tempo de Criatividade separatista
na procura da Liberdade.
Gerou um grande desenvolvimento mental e tecnológico, paralelamente a um imenso vazio                         
                            Anímico e Espiritual.
 
Todo o Mito émenor” quando não cria Unidade.
Qualquer Mito que dissocia, não é Sagrado,
não apela à Verdade do Universo.
 
 
Sem a força apelativa de um Mito Transcendente,
                            como Razão-de-Ser e Vir-a-Ser,
Portugal vive aquém da sua verdadeira Identidade.
 
 
Para isso vamos fraternamente meditar.
O poder da meditação, vem da sua ligação
à Fonte-da-Vida,ao Uno, à Unidade.
 
Meditar é conectarcom Isso que sustem e Unifica
a multiplicidade das formas, além de toda a divisão.
Isso”, que podemos identificar com a Vida
do nosso Templo interior,
                   
                             Deus, em nós.
 
 
 
                            Vamos meditar ao fim da tarde,
às 5ª feiras, depois das 19 horas.
Meditar, concentrar, chamar a Luz.
 
O Tempo que nos for possível: uns minutos, meia hora,
uma hora …para que Portugal possa finalmente expressar,
a verdadeira dimensão da sua Alma.
Ao meditar, vamos sentir a nossa Alma,
para que a Alma colectiva dos Portugueses
possa emergir do seu recolhimento,
do núcleo interno onde se encontra submersa...
 
Para que o paradigma do novo Tempo
a Consciência de uma nova Era Planetária,
a Era de Aquário, a possa iluminar.
 
 
Aquário é uma Visão evolutiva, Sintética, Holística, integradora das forças do Universo.
Esta Visão situaa Humanidade no dinamismo inteligente
e significativo do seu Vir-a-Ser, da sua Evolução.
 
A vibração da energia de Aquário desperta a intuição
para que a última resposta de cada Ser Humano à Vida,
seja essencialmente colectiva,                                                                 
fundamentalmente inter-dependente,
Planetária.
 
A nova Era será o Tempo de uma nova mentalidade.
Surge como resposta ao impasse materialista,
à grande Ilusão contemporânea do Ocidente,
que emparedou a Alma e a Mente dos Homens.
 
A Solidão é uma “amnésiaCósmica.
Traduz a dor do Ser desintegrado,
esquecido do Todo a que pertence.
Ego-centrado, órgãodoente, rebelde à Vida do organismo,
defende-se da identificação que o pode libertar.
Só o Amor tem poder de emocionalmente se identificar.
                            Só o Amor tem poder-de-unir
                            uma Vida a outra Vida.
Cristo veio há 2000 anos ensinar esta imensa realidade.
Somos “unidades autónomasde Vida consciente, 
num oceano de Vida Maior.
A cada minuto partilhamos energia com o mundo
e com os outros.
 
A “discriminação Separatista,
gerou a ignorância , a dor, o sofrimento
das Sociedades actuais.
Esta “dissociação”, anímica, colectiva e Planetária,
está a chegar ao fim.
Novos ciclos se anunciam.
 
Antigos Mestres Chineses deixaram dito:
“a tensão de dois pólos opostos
tem sempre que chegar ao limite,
para virar no seu contrário.
Este nosso Tempo atingiu o limite da ignorância,
da violência, da loucura, da infelicidade.
 
Hoje em dia a Terra, é realmente, a muitos níveis,
um inferno criado pelos Homens.
Não tem sempre que assim Ser.
No entanto só pode mudar,
quando os Homens se aperceberem
que são eles que criam o seu próprio inferno.
O que implica descerem do seu “pedestal de barro
da sua enganadora arrogância,
da sua limitada percepção.
Assumirem a voz da sua Alma,
renderem-se à Ordem Maior:
 
Ordem Universal, Humanista e Fraterna,  
regida por Leis Eternas.
As Leis que sempre ensinaram os Homens
a trabalhar os medos, a meditar, a abrir o Coração.
 
 
Disse Fernando Pessoa: é a Hora.
A Hora da Verdade,
a Hora da Boa-Vontade,
a Hora do Entendimento,
a Hora do Serviço
 
Para que a Terra, um dia, possa vir-a-ser,
como dizem os Mestres, um “Planeta Jardim
 
Para que o imperioso, último e definitivo
grande Mito,
a possa Inspirar.
 
não estamos num Tempo
de velhos Mitos nacionalistas.
Mitos nascidos de uma Visão prepotente,
activada por um qualquervírus ego-nacionalista
que sempre produziu guerras e Separação.
 
Hoje, o Tempo é de Viragem:
Tempo da criação de um novo Tempo,
de um novo paradigma, de um novo Mito,
capaz de produzir União.
 
União entre todos os Homens,
União entre os Povos, União entre as Nações:
 
é a verdadeira Palavra do Cristo,
ainda não suficientemente interiorizada.
 
“Deus exprime-se a si próprio
através das correctas relações humanas”,
                                                                            Djwal Khul
É o definitivo grande Mito,
que urgentemente pede realização:
o Mito da Fraternidade Planetária,
 
a União das Almas
pela Luz da Consciência
 
Só a Consciência assumida da Fraternidade Planetária pode materializar, dar Forma,
 “fazer acontecer”,
a resposta milagrosa da Humanidade
ao apelo imperioso da Paz-no-Mundo.
 
 
Caminhamos lentamente, de Vida-em-Vida, rumo à Unidade.
É a nossa Humana e humilde condição.
Não nascemos “inteiros”,
não nascemos totalmente Conscientes.
Encarnamos em tensão, com uma Paz relativa,
a Paz que soubemos ou não atingir,
de acordo com o nosso próprio Karma.
 
Por isso a Paz profunda é uma convergência” energética.
A nível interno,
Paz é a irradiação sintética
das múltiplas energias do Ser.
 
Por outras palavras, a Paz interior
é a síntese das nossas energias.
Conquista voluntária, pessoal, pede fidelidade.
Paz é “alta frequência”. Só atingida, pela integração
e harmonização da Luz e da Sombra, em nós.
 
Não haverá Paz no Mundo, enquanto não houver
Paz nos Corações, em todos os Corações…
 “Portugal, nesta charneira evolutiva, deve actualizar-se. Encontrar-se.
Lembrar-se de quem foi.
Saber quem verdadeiramente é:
 
Povo de gente sensível, que já muito rezou.
Gente que nos seus registos emocionais mais remotos,
traz a memória de um antiquíssimo Saber.
Esse, que pacifica os Homens e os situa,
na multidimensionalidade da sua Vida Interior.
Gente portuguesa, capaz de sentir e exprimir o Indizível,
o que não tem forma, mas que habita algures,
nas esferas subtis da nossa mais íntima experiência”
 
                                                    do livro Portugal o Mito e o Destino
      Maria Flávia de Monsaraz
 
 
Nascemos Portugueses, não é por acaso,
é um grande compromisso com o Céu
 
 
 
Assim, vamos todos à 5ª feira meditar,
recolher, Silenciar.
Para que Portugal possa sintonizar a sua nota própria,
             o que lhe cabe Vir-a-Ser.
             E assim levar ao Mundo, o Poder Iniciático
             da sua Palavra inspirada.
 
             Para que a voz da sua Alma um dia seja ouvida,
             no concerto planetário das Nações.
 
Cumprindo o Projecto Crístico que o fez nascer,
             na Harmonia dos ritmos Celestes…
 
Para aprofundamento da relação Silêncio/ Meditação,
algumas Citações:
 
 
“o Silêncio,
estado de quietude onde nada de irreal
pode penetrar”.
 
“da rendição da mente nasce a vibração do Silêncio”,
o despertar da energia intuitiva do Coração”
 
“quando a mente silencia,
estabilizamos o nosso estado essencial:
o Espírito, que nos habita”.
 
no Silêncio
revela-se o Campo unificado
da Consciência”
 
 
O Silêncio activa o Fogo interno”
 
 
 
Vamos, uma vez por semana
Silenciar, meditar.
Que estes momentos semanais possam Unir
cada Português à Luz da sua Alma.
 
Unir cada Português à Luz da sua Alma,
é unir Portugal.
 
 
Para aprofundamento deste Tema,
encontra-se disponível um CD
de Maria Flávia de Monsaraz:
Portugal o Mito e o Destino
Contacte a Salva pelo:
214427302, ou
salva.medtrad@sapo.pt
 
 
Para mais informação sobre este movimento aceda ao site:
http://www.ventosdelys.com/website/index.php?option=content&task=view&id=152
ou
http://www.ventosdelys.com/meditacao_portugal/
publicado por salvamedtrad às 16:27

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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Symphony of Peace Prayers

SOPP2007

 

 

No dia 20 de Maio de 2007 aconteceu no Japão um congresso (Simphony of Peace Prayers) para a paz no mundo.
Maria Flávia de Monsaraz foi convidada e por sua vez convidou o Dr. Francisco (que já viveu no Japão) para a acompanhar para fazer a tradução.
No Quiron (Centro Português de Astrologia), numa das suas aulas de astrologia, Maria Flávia partilhou como foi essa experiência.
Aqui fica o relato do seu testemunho.
 
 
Plutão é o deus do infra mundo. Simboliza o lado negro, a sombra da humanidade, morte e regeneração.
 
Eu estive no Japão e queria partilhar uma experiência que corresponde à vivência do país como Plutónica.
Fui participar num congresso para a paz no mundo onde participaram todas as igrejas do mundo. Havia Sacerdotes Sufis, Árabes, da Igreja Ortodoxa, da Igreja Católica… Estavam também cientistas dos que fazem investigação de ponta para as novas descobertas da ciência, ligadas à genética, biologia, etc. e estavam pessoas que fundaram instituições para a paz no mundo. Consideraram o Quiron como uma dessas instituições e por isso fui convidada.
Houve uma mesa redonda onde se colocaram questões como: “qual é o poder da oração” e “como entendemos que a oração pode mudar o mundo”.
Foi interessante ver como as pessoas tentaram responder honestamente e tentaram descobrir aquilo que as unia, o que as punha em comum.
Foi a primeira vez que aconteceu uma convergência de valores comuns entre pessoas de tão diferentes lugares.
É uma esperança incrível e um prenúncio de tudo o que pode vir a acontecer e, que eu ando a anunciar há 30 anos, desde que estudo astrologia, que o mundo vai mudar e que as pessoas vão mudar e que não se vão repetir os anos negros da história da humanidade.
Isto no Sábado.
No Domingo, houve uma cerimónia em que estavam 10.000 pessoas num santuário no monte Fuji. O monte Fuji é uma montanha sagrada que na realidade é uma cratera de um vulcão. É de uma serenidade e vibração muito especial.
Houve uma cerimónia no sentido de todos os legados, todas as igrejas, dizerem alguma coisa ou por exemplo o sacerdote Sufi cantou um canto intemporal a chamar o céu, ecoando por aqueles montes e por aquela paisagem, exprimindo a intemporalidade das almas.
Eu tive o privilégio de ir com um amigo (Dr. Francisco Castro), que viveu e estudou no Japão e conhece muito bem o Japão. Foi comigo para traduzir as coisas que eu dizia. Ele fez questão que, depois do encontro, fossemos a Hiroshima.
Eu senti que era preciso fazer isso. Aí percebi, e queria partilhar, o que é a morte e o renascimento de uma nação. Que é exactamente um experiência plutónica. Porque o Plutão onde está é onde tem o máximo poder de destruição. Mas é também, porque vamos ao limite da destruição, onde podemos virar no seu contrário. Onde nós podemos reintegrar uma dimensão de entrega e de vida e de paz maior.
Foi exactamente o que aconteceu naquele país. Cá, estamos longe e ouvimos as notícias à distância e somos um pouco distraídos e não temos a noção do que se passa no mundo. Eu não tinha, pelo menos.
Ainda tinha a vaga ideia de que os japoneses eram seres muito violentos. Na realidade os japoneses foram muito violentos. Tiveram um feudalismo que acabou com os samurais no séc. XIX, violentíssimo e terrível e apanharam com a bomba atómica. Eles atraíram cármicamente a máxima violência.
Acontece que eles perceberam a experiência, perceberam o significado daquilo.
É um país que morreu. Uma alma nacional que morreu e que renasceu. Que renasceu a dizer, “No more Hiroshimas”. Eles têm lá os cartazes.
Acontece que no Japão não há uma arma. O Japão, tão violento em tempos, agora não mata um animal. Eles foram tão longe na consciência do que é o retorno da violência que não querem mais violência nenhuma.
Esta obsessão para a paz no mundo, eu percebi que não é um processo totalmente religioso, não é um processo que vem de dentro e de uma dimensão de consciência amorosa profunda. É um processo que vem de fora, de uma compreensão de “mais Hiroshima não, nunca mais”.
E quando fui ao poço onde caiu a bomba, eles têm uma exposição que chamam “exposição para a Paz”. Em que mostram toda a estrutura da guerra, como tudo aconteceu, em que altura, de que maneira, e que mostram como era Hiroshima e como ficou depois da bomba.
Acontece que Hiroshima hoje é uma cidade cheia de flores em que as crianças das várias escolas vão todos os dias cantar em frente do túmulo das vítimas hinos para a paz. Em que há um sino para a paz no mundo que ressoa todos os dias com uma intenção para a paz no mundo.
Ir a Hiroshima, fez-me sair de lá com muito mais esperança. O renascimento depois da morte também é possível. E a transformação das pessoas e das mentalidades e da educação. Um país inteiro viveu a violência até à guerra e no entanto a mudança foi possível.
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Conexão com o Divino
 
Um mundo a transbordar de divindade
 
Quando perdeu a humanidade a sua consciência divina para o mundo das trevas? Até que ponto abandonámos nós a nossa natureza sublime? Quando nos esquecemos da nossa inata dignidade e poder decisivo? Quando perdemos nós a visão do verdadeiro propósito das nossas vidas, e o espírito de amor incondicional que não espera recompensas? Até que ponto ficou a nossa consciência divina virada completamente do avesso?
Originalmente, os seres humanos eram divinos, sem uma pequena excepção. Toda a vida humana era então inundada de qualidades divinas. Todas as pessoas estavam em ressonância com a energia divina, ecoando a fonte divina e afectando-se uns aos outros como seres divinos.
Qualidades divinas existiam em todo o lado, criando campos energéticos de divindade. A divindade não estava separada da natureza, mas sim permeando toda a natureza. Sendo ilimitada, envolvia e abraçava o Universo, a Terra, humanidade e toda a vida e existência.
Então, quando é que foi que nós perdemos a nossa consciência divina e começámos a ancorar dúvidas e um sentido de pecado? Quando começámos nós a rejeitar o valor da nossa existência e a olhar para nós próprios, vivendo numa baixa dimensão de consciência? Quando perdemos nós a visão do nosso propósito na vida e tornámo-nos controlados pelos fenómenos do mundo físico – pelo nosso pequeno termo de ganhos e perdas?
Os elementos incluídos nos seres humanos, e o poder que nos rodeia, estão todos cheios de luz da fonte universal. Esta fonte divina é, ela mesma, um criador dinâmico, mantendo constantemente uma larga escala de harmonia. Isto é um princípio da oscilação de vida cósmica. Quando vivemos sobre estes princípios, as nossas vidas são a própria bondade, o próprio amor, a própria beleza e a própria divindade.
Se isto é assim, de onde vêm as nossas dúvidas e os nossos sentimentos de culpa? Qual foi o grande pecado que nós cometemos? É simplesmente um desmerecimento da verdadeira natureza do nosso ser, a nossa consciência divina. Nós negamos a existência do espírito e em vez disso focamos e pomos valor no nosso ser físico.
Num determinado ponto do tempo, a humanidade parou de buscar a verdade, e em sua vez começou a perseguição da ilusória ganância material. Isto foi o princípio do nosso sofrimento. Não é para culpar ninguém mas cada um e todos os seres humanos devem tomar responsabilidade por isso. E é também nossa responsabilidade avivar a memória do nosso ser original.
O grande pecado da humanidade (evolução infinita e auto criação) foi termo-nos tornado cegos para a divina verdade sagrada que existia em nós. Tornámo-nos demasiado distraídos para sentir honra e louvar a divina consciência que claramente reside em todos nós. Em vez disso, nós rejeitámos e perdemos respeito pela verdadeira natureza do nosso ser. Talvez isto seja o que as pessoas há tanto tempo designam como ‘pecado original’.
A palavra ‘pecado’ não se refere simplesmente a alguma acção visível ou acto proibido. É, antes, trair a nossa divindade inerente. O grande erro que nós humanos fizemos foi o de desmerecermos as nossas próprias qualidades sagradas, e a dignidade e valor da nossa existência. 
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www.byakko.org
www.byakko.or.jp/sopp2007/index.html
publicado por salvamedtrad às 17:36

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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Actividades dos Sócios da Salva

 

Carlo Maria Bloser

 

 

Carlo Maria Bloser nasceu em Dresden, na Alemanha, em 1929. Estudou Direito e depois Arquitectura, que escolheu como profissão.

 

Em 1972 mudou-se para o Mónaco da Baviera, onde continuou a trabalhar como arquitecto, acabando por descobrir a sua vocação pela pintura a aguarela, tendo realizado, nessa cidade, as suas primeiras exposições, com êxito.

 

Encontra-se em exposição parte das suas obras, na Biblioteca Municipal de Cascais em S. Domingos de Rana, até ao final de Outubro.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por salvamedtrad às 16:24

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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Feng Shui

 

       

 

Para conhecermos um bocadinho do Feng Shui, torna-se quase necessário procurarmos saber o que é a energia e como funciona essa energia, nos sítios, edifícios, pessoas e animais.
 
A terra, como ser vivo que é, emana uma série de energias próprias, chamadas de energia telúrica.
 
A emanação da energia telúrica ocorre a partir do centro da Terra, subindo perpendicularmente à superfície terrestre. Como todas as energias, vai afectar os seres vivos, plantas, animais e os homens, de forma positiva (magnetismo) ou negativa (veios de água subterrânea). 
 
Antigamente respeitava-se a natureza e seguiam-se uma série de regras, antes de construir casa, vilas ou cidades. Observava-se os animais, investigava-se e estudava-se o terreno, para determinar se o local não era insalubre, evitando problemas futuros, como doenças e má sorte.
 
Por meio da radiestesia, astrologia e geobiologia, os antigos chineses praticantes de Feng Shui determinavam com precisão os locais onde haviam emanação dessas energias nocivas, determinadas por – pontos geopatogénicos – conhecidos por “portas de saída do dragão” e “veios do dragão” – aonde havia rios subterrâneos.
 
A partir de 1970 surge a geobiologia como ciência que se preocupa em estudar as diferentes relações entre o meio e a saúde dos seres vivo.
 
Essa ciência, nascida dos estudos e observações de vários radiestesistas, comprovou a relação causa e efeito entre a exposição às “emanações telúricas” e as alterações na saúde dos seres vivos.
 
Actualmente, a geobiologia usa informações obtidas por meio da astrofísica, geofísica, geologia, biologia, hidrologia, electrónica, ciências alternativas, esotéricas e, principalmente, da radiestesia.
 
Os profissionais, através do uso de diversos instrumentos, medições e estudos, conseguem determinar se o ambiente está doente e desequilibrado, a causa e foco da doença, os principais efeitos e as curas necessárias.
 
Um ambiente doente e desequilibrado pode causar nos seus frequentadores:
 
o       distúrbios mentais e psíquicos
o       stress, tenção, nervosismo e agitação
o       dificuldade e bloqueio de criação e agitação
o       bloqueio, perdas e estagnação profissional
o       perdas e bloqueio financeiro
o       insónias e distúrbios de sono
o       ansiedade e depressão
o       retenção de líquidos
o       dores de cabeça e no corpo
o       doenças
 
 
  
O que é o Feng Shui?
 
O Feng Shui é a antiga arte chinesa de criar ambientes harmoniosos, tendo surgido há cerca de 5.000 anos, nas planícies agrícolas da China Antiga.
 
Desde então, tendo sofrido de alterações e evoluído chegou até ao dia de hoje, surgindo como uma disciplina capaz de oferecer um sistema completo, ligando-nos intimamente à natureza e ao Cósmico.
Os diagnósticos e resoluções elaborados são capazes de resolver quase todos os problemas envolvendo casas e as pessoas que moram nelas.
 
 
 Esta antiga arte chinesa visa harmonizar o ambiente em que as pessoas vivem e trabalham, proporcionando uma vida mais feliz e cheia de bênçãos cósmicas.
 
Através dos séculos, as suas leis e princípios foram desenvolvidos e transmitidos oralmente de Mestre para discípulo.
 
Para se estudar mais profundamente o Feng Shui, deve-se ter em conta, que se torna necessário fazer um estudo aprimorado e profundo dos 64 exagramas do I Ching e também das leis do yin yang, os opostos complementares, e dos cinco elementos e seus relacionamentos.
 
Todo este estudo é necessário para o modo chinês de ver e entender o mundo e o universo, com os seus relacionamentos e eternos ciclos de mudança.
Trazem em constante lembrança que - “Mudança é a Lei da Vida”.
 
Na natureza, tudo muda e nunca é estável observando o símbolo que representa o yin e o yang. O eterno processo de mudança e mutação mostra ao homem que toda a natureza, o universo inteiro, estão em constante mutação e evolução nunca estagnando e parando no tempo.
Logo, deveríamos agir desta maneira em relação às nossas vidas.
 
Negligenciar que as coisas se transformam, é fechar os olhos para eventos que sentimos durante toda a nossa vida”.
 
O que esperar do Feng Shui?
 
Os efeitos do equilíbrio alcançado com o Feng Shui podem ser sentidos em todos os aspectos da nossa vida.
Ajuda-nos a recuperar e manter a saúde física, emocional e espiritual, harmonizando os nossos relacionamentos.
Colabora também nos aspectos ligados à prosperidade, proporcionando o surgimento de novas oportunidades e o aumento de ganhos financeiros, além de dar-nos a chance de prevenir problemas legais, brigas ou roubos.
 
No entanto, não devemos canalizar para o Feng Shui todas as nossas expectativas de mudança, visto que nem sempre as fortunas ou desgraças estão relacionadas somente ao Feng Shui.
 
O Feng Shui não oferece cura para todos os problemas da humanidade. Ele deve ser entendido como um dos vários sistemas existentes da filosofia chinesa e não como um elixir para todos os males. Ele não traz sucesso da noite para o dia, nem é uma mágica milagrosa. Mas, se aplicarmos os seus conceitos cuidadosamente, ele fará as nossas vidas mudarem de rumo.
 
 
Na cultura chinesa entende-se que as características da vida de uma pessoa são determinadas por cinco factores:
 
  1. Ming ou Destino – É o que se traz de antes do nascimento. São as características imutáveis da vida, e podem ser identificadas por um mapa astrológico, por exemplo.
  2. Yun ou Sorte – São os períodos favoráveis ou desfavoráveis por que uma pessoa passa durante a vida. Podem ser também conhecidos através da astrologia.
  3. Feng Shui ou Ambiente – É a influência do ambiente em que se vive, é a qualidade da vida. Pode ser manipulado pelo homem.
  4. Daode ou Virtude – É o que se faz em benefício do semelhante e da humanidade. Está associado ao desenvolvimento moral e espiritual.
  5. Dushu ou Educação - O quanto nos dedicamos ao nosso aperfeiçoamento pessoal. Inclui o desenvolvimento mental e o auto-conhecimento.
 
Como se pode observar, o Feng Shui representa apenas uma parcela. Cabe a cada um de nós trabalhar sobre os outros aspectos para atingir uma existência plena.
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publicado por salvamedtrad às 16:13

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Dietas

 Dietas Alimentares

 

Dietas alimentares que contribuem para a harmonização e equilíbrio do organismo.

 

Dieta A – Sem Lacticínios

 

Retirar:

- Leite

- Iogurte

- Manteigas

- Natas

- Queijo

- Queijo Fresco

 

 Substituir por:

- Soja

  • Leite de Soja
  • Manteiga de Soja
  • Natas de Soja
  • Iogurtes de Soja

- Tofu

- Seitan

- Leite de Aveia

- Leite de Arroz

- Batidos com leite de

  Soja ou Aveia

- Água e sumos

- Manteiga de 

  vegetais cozidos,

  com azeite (*)

 

 Complementar com:

- Cereais

  • Milho
  • Trigo

- Leguminosas

  • Lentilhas
  • Feijão
  • Grão
  • Feijão verde

- Brócolos

- Algas

- Cenoura (tem muito

   cálcio)

- Nabo

- Beterraba

- Frutas neutras (que

  não sejam ácidas)

  • Papaia
  • Melão
  • Maçã
  • Pêro
  • Pêra

- Mel de cana

- Azeite e azeitona

 

Objectivo da Dieta:

Ao retirar o leite pode-se ingerir à mesma cálcio através da soja, cereais, leguminosas e frutas, com a vantagem de não se ingerir as toxinas e ácido láctico, decorrentes da lactose, e globolinas, albominas e hormonas, de origem animal contidos no leite. Evitam-se assim certas doenças transmissíveis pelo leite, como a Brucelose (transmitida pelo queijo fresco).

 

 (*) Sugestão

Manteiga de Vegetais cozidos, com azeite:

Colocar vegetais (por exemplo, batata, cenoura, etc.) cozidos no mixer, com azeite, ervas aromáticas, sal, e alho (opcional), até ficar consistente. Levar ao frio. O azeite, com o frio, solidifica-se e cria uma pasta.

 

 

Dieta B – Sem Proteína Animal

Retirar:

- Carnes todas

- Peixe

- Aves

- Ovos

- Leite

- Iogurtes

- Mariscos

- Enchidos

- Gelatina

- Gordura animal

  (bakon)

 

Substituir por:

- Soja

- Tofu

- Seitan

- Grão

- Feijão

- Algas

- Cogumelos

  

Complementar com:

- Frutas (todas)

- Legumes (todos

  excepto espinafres

  pois têm

  substâncias

  semelhantes ao

  ácido úrico)

- Azeite e azeitona

- Óleo de Sésamo

 

Objectivo da Dieta:

O principal objectivo é eliminar as toxinas provenientes da carne animal – ácido úrico, ureia, porinas (base dos ovos), colesterol, etc.

 

Observação:

Deve-se tomar bastante água para limpar as toxinas e estimular o rim.

 

 

Dieta C – Sem Sal

Retirar:

- Sal todo (inclusive

  sal marinho ou de

  rocha)

- Shoyo

- Tamari

- Caldos Knor ou

  Magi

- Sopas ou pratos

  pré-preparados

- Espinafres

- Morangos

  

Substituir por:

- Ervas aromáticas

- Aipo ( na cozedura

  de carnes ou peixe

  dá um paladar

  salgado)

- Kombu

- Molhos de tomate

  ou outros legumes

  (Beringela)

- Batata (já contém

  bastante sódio)

- Feijão verde

- Mel de cana ( rico

  em minerais – sódio,

  potássio, ferro)

- Algas todas

  

Complementar com:

- Raízes

  • Cenoura
  • Nabo
  • Beterraba
  • Batata
  • Inhame
  • Batata-doce
  • Xerobias
  • Mandioca
  • Aipim
  • Tapioca

- Leguminosas

  • Soja
  • Grão
  • Lentilhas
  • Feijão
  • Milho ( papas e maçaroca)

- Cogumelo Shitake

 

Objectivo da Dieta:

O objectivo é baixar o nível de sódio para retirar a dor (em quadros dolorosos e alérgicos) e melhorar o rim, o sono e o sistema nervoso.

 

 

Dieta D – Sem Açúcar

Retirar:

- Todo o açúcar

   branco

- Doces com açúcar

- Bolos com açúcar

- Chocolate

- Bebidas alcoólicas

- Leite de vaca

- Uva

- Figo

- Arroz e massas

- Pão

Substituir por:

- Mel de abelha

- Mel de cana

- Adoçantes de fruta

- Malte

 

 Complementar com:

- Cereais

- Frutas

- Raízes

·        Cenoura

- Legumes todos

- Leguminosas

·        Feijão

·        Grão

  

Objectivo da Dieta:

O objectivo é melhorar o pâncreas, fígado e rim. Melhorar o sistema imunitário e evitar reumatismos, infecções e alergias.

 

Dieta E – Sem Alimentos Ácidos

 

Retirar:

- Iogurtes e Kefir

- Cítricos

  • Laranja
  • Limão

- Vinagre

- Frutas ácidas

  • Morango
  • Kiwi
  • Ananás

- Pão

  

Substituir por:

- Frutas neutras

  • Papaia

- Alimentos neutros

  • Milho
  • Trigo
  • Cevada
  • Arroz
  • Cenoura
  • Alcachofra

- Tomar águas

   neutras

  

Complementar com:

- Algas

- Pectina de fruta

- Chás não ácidos

  • Chá verde
  • Chá de bolbo
  • Chá dente de leão

Objectivo da Dieta:

O objectivo é não sobrecarregar o fígado e a vesícula e ajudar o estômago (quando tem excesso de calor e acidez) e o duodeno.

 

  

Dieta F Jejum e Dieta Líquida

 

É recomendável fazer jejum de vez em quando para dar descanso ao organismo.

O jejum não deve ser demasiado prolongado e não deve pôr em risco o funcionamento do organismo na sua parte essencial.

Por isso recomendamos as seguintes regras:

 

- O jejum deve ser feito com uma regularidade de acordo com a idade da pessoa.

- Se a pessoa é muito magra não deve fazer jejum.

- Se a pessoa tem o intestino muito solto não deve fazer jejum.

- Se a pessoa tem o metabolismo muito rápido – tipo Yang – não deve fazer jejum.

- Se a pessoa tem o intestino preso deve fazer jejum.

- Se a pessoa tem o metabolismo lento – tipo Yin – e tem tendência a ter estagnação dos alimentos, deve fazer jejum.

- Esse jejum deve ser tão frequente quanto a frequência com que aconteça essa estagnação.

- Em relação à idade, as crianças e pessoas idosas não devem fazer jejum. O jejum é algo voluntário logo só os adultos o devem fazer.

- Se a pessoa tiver muito peso ou tendência para aumentar o peso facilmente, deve fazer jejum uma vez por semana.

- Se for só uma questão de intoxicação ou dificuldade metabólica, deve fazer jejum uma vez por mês.

- Uma pessoa normal deve fazer jejum nas mudanças de estação – cinco vezes por ano. Uma vez em Março, uma vez em Maio, uma vez em Agosto, uma vez em Outubro e uma vez em Dezembro.

 

 Como proceder:

- O jejum deve-se fazer durante três dias.

- No 1º dia de jejum só se deve tomar água. Não se deve comer nada.

            Deve-se diminuir a actividade física. Deve-se fazer num dia em que a pessoa possa estar recolhida – um fim-de-semana.

- No 2º dia deve-se tomar alimentos líquidos.

  Por exemplo:

            De manhã tomar batidos com frutas - maçã com leite de soja, beterraba com maçã e sumo de limão, laranja com cenoura. Deve-se evitar café e leite de vaca. Pode-se substituir por leite de soja, leite de aveia, ou leite de arroz e chá verde.

            Ao meio da manhã pode-se tomar um batido com 20% de cereais.

            Ao almoço deve-se comer sopa ou creme de legumes (bem passados).

            Á tarde pode-se tomar batidos com frutas e cereais e chás relaxantes (camomila) e digestivos.

            À noite pode-se tomar um batido com legumes cozidos (cenoura, beterraba, brócolos, couve-flor, xuxu, etc.).

            Ao serão toma-se um chá de maçã + flor de alfazema + uma folha de alface.

- No 3º dia começa-se a comer papas.

            De manhã, papas de cereais (aveia).

            Ao meio-dia, papas de milho.

            À noite papa de arroz.

- A partir do 4º dia não se pode comer comidas pesadas (carnes, queijo, ovos, etc.).

           Deve-se comer de tudo mas leve.

- É importante que a comida não contenha sal nem açúcar, nos dias seguintes.

           Deve-se dar preferência às frutas e legumes para compensar o açúcar (fruta) e o sal (legumes).

- Deve-se fazer jejum tantas vezes até o intestino regularizar.

 

 

 

 

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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

NOTÍCIAS

Notícias do Mundo e da Vida

por Pedro Vistas

 

17 de Outubro de 2007

O homem, mais por orientação cultural do Ocidente do que por natureza específica, tende a cumprir todas as possibilidades. É afinal ainda reflexo do bastião científico experimental, da exploração dos possíveis na senda de conquista da própria vida que se apresenta multiforme.
Este errático périplo por tudo, nunca alcança porém o assim intangível todo, pois que se a Vida é mutável, imponderável e irreprimível, não é por muito se experimentar, num coleccionismo de possibilidades concretizadas, que mais se dá a aproximação de uma sua realidade essencial.
A Internet, domínio de possibilidades ( ainda que orientadas, e que pela inumerabilidade ou incontabilidade de possíveis simula o transfim livre e libertador ), é deste modo, no seu exercício e oferta, mostra exemplar da nossa civilização : desamorosa, violenta, funcionalista, ilusora, pornógrafa e pedófila, consumista de consumidores em consumição.
Dizia o Bispo de Hipona : Ama et fac quod Vis ( ama e faz o que quiseres ). Indica este repto fazer o que verdadeiramente se quer, em vez de se ceder a querer tudo o que se pode. Note-se que o primeiro querer leva uma acentuação ontológica, é querer o que se é, mais ainda, o que É. O segundo querer é apenas uma volição automatizada em desejos externos ao fulcro existencial assim preterido. Deste modo, amemos e façamos o que quisermos, pois se amarmos em verdade tudo quanto façamos será Bom. As éticas e as leis, só servem a quem ainda não Vê, e não age de acordo com o Ser.
Estas considerações são tecidas a propósito de um elenco de recomendações de sítios que se assomam como refrigério onde podemos descansar do bulício de inexistir e sentir a diferença de se poder o que se Quer ao invés de apenas querer o que se pode.
 
Sugestões diversas mas não diversivas : 
 
http://www.sacred-texts.com/index.htm
 
http://www.perseus.tufts.edu/
 
http://bibliotheque.editionsducerf.fr/par%20page/2653/TM.htm
 
 

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02 de Outubro de 2007

Pudesse ter sido escutado o Silêncio de Buda, e os colóquios verbosos em seu nome calariam ante o nada que há a dizer.
Entretanto, algumas ( raras ) palavras ainda são veredas para o que há a viver.
 

           Veja-se o Programa : http://www.pauloborges.net/actividades%20a%20realizar.htm

 

 

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26 de Setembro de 2007

 

 A actividade filosófica em Portugal, nos últimos séculos foi a bem dizer nula. Que simples ideia filosófica portuguesa entrou no pecúlio da história da filosofia moderna ?          

Revista Portuguesa de Filosofia,  nº 1, Janeiro – Março, 1945.

 

Como é possível conciliar o sentido universal da filosofia com o conceito de uma filosofia radicada? O problema equivale a este : Se a ave tem asas, como se compreende que tenha pernas ?

José MARINHO, “Filosofia portuguesa e universalidade da filosofia”, in Estudos sobre o Pensamento Português Contemporâneo, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981, pp. – 9 – 10.

 

 

                                                                               

                                         

 

Da Filosofia Portuguesa

 

Portugal desencontrou-se de quem o redescobriu, uma geração de argonautas do Espírito que constituiu o olvidado grupo da Filosofia Portuguesa. A este propósito, José Marinho considera que se a filosofia é insituada, é o acto de filosofar situado, entendendo que as filosofias só transitam de país para país nas suas dimensões cultural e histórica, perdendo no trânsito o fundamental. Afirma ainda que o particular não retira o universal e que o atributo não é necessariamente secundário, em ordem de existência e valor, face ao substantivo. Haver laranjas em Setúbal e serem caracteristicamente deliciosas, não compromete o sentido e o sabor da forma universal. É do pensamento situado que nasce a universalidade da filosofia, é por aquele que esta se garante, e é ademais óptimo expediente para se remontar ao que seja a filosofia além dos esquematismos jurídicos universitários, suas compilações, e mui pouco doutas considerações sobre a filo - Sofia de que a academia fala sem no entanto o ser. De facto, a filosofia nunca é confundível com erudições de compêndios enciclopedistas, e urge diferenciar corajosamente cultura filosófica, ensino da filosofia, e experiência filosofal, discernindo além do que a ancilosada academia tornou indistintamente idêntico. O academismo, modalizado segundo os paradigmas estrangeiros, francês e alemão primeiro, e norte – americano hoje, substituiu-se aos escóis intelectuais, deste modo pervertendo uma estrutura vital e insubstituível para uma sã homeostasia portuguesa. Muito significativo é por outro lado verificar que os definidores do que seja Portugal quase nunca provieram dos meios universitários, tendo até não raras vezes desviado o seu percurso de tais vias, como foi o caso de Fernando Pessoa, que terá desistido do curso de Filosofia por amar a Verdade. Mas é certo que sem agregações comunitárias de luminares, cai a noite sem estrelas, imperegrinável. E as falsas luzes autoproclamadas pelo sistema instituído, mais ofuscam de puro negrume que conduzem ao Centro.

Dá-se o paradoxo de sermos primitivos ao nosso passado, de estarmos a viver antes de ontem, quando já se sabia o que hoje nem se nos assoma por Futuro. Este olvido é, mais que mnésico, existencial, esquecemo-nos de quem somos, Portugal é vazio de Portugueses! O momento é nevoento, mas por isso mesmo, como reza o mito, decisivo e claramente adventista.

A pretexto de uma revista sobre estes lusos, verazmente luminescentes, prestamos reverencial homenagem a quem, mais que português, foi Portugal.

 

Veja-se a nova revista Leonardo :

http://www.leonardo.com.pt/revista1/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

 

Algumas leituras de aprofundamento :

 

ANTUNES, Manuel– “Haverá filosofias nacionais?”, in Do Espírito e do Tempo. Lisboa, Ática, 1960.

CALAFATE, Pedro (Dir.) – História do Pensamento Filosófico Português. [HPFP] -  Vols : I – V,  Lisboa, Caminho, 1999-2000.

CARVALHO, Rómulo de, História do Ensino em Portugal, Lisboa, FCG, 2001.

COIMBRA, Leonardo, A Razão Experimental, Obras de Leonardo Coimbra, Porto, Ed. Lello & Irmão, Vol. II, 1983.

FERREIRA, Silvestre Pinheiro, Prelecções Filosóficas, Lisboa, IN- CM, 1996.

 GANHO, Maria de Lourdes Sirgado e HENRIQUES, Mendo Castro, Org., Bibliografia Filosófica Portuguesa (1931-1987), Lisboa, Verbo, 1988.

GOMES, Pinharanda, Dicionário de Filosofia Portuguesa, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1987.

GOMES, Pinharanda, Inquérito Sobre a Filosofia Portuguesa, Braga, Editora Pax, 1972.

 

GOMES, Pinharanda, Introdução à História da Filosofia Portuguesa, Braga, Editora Pax, 1967.

 

GOMES, Pinharanda, Pensamento Português, Braga, Editora Pax, 1969.

 

GONÇALVES, Joaquim Cerqueira, Fazer Filosofia – Como e Onde? -, Braga, Faculdade de Filosofia – Universidade Católica Portuguesa, 1995.

MARINHO, José, Estudos sobre o Pensamento Português Contemporâneo. Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981.

PASCOAES, Teixeira de, A Arte de Ser Português, Lisboa, Delraux, 1978.

 

PASCOAES, Teixeira de, A Saudade e o Saudosismo, Lisboa, Assírio e Alvim, 1988

 

PIMENTEL, Manuel Cândido, Odisseias do Espírito : Estudos de Filosofia Luso-Brasileira, Lisboa, IN-CM, 1996.

 

RIBEIRO, Álvaro, A Arte de Filosofar, Lisboa, Portugália Editora, 1955.

 

Revistas :

 

CALAFATE, Pedro, Figuras e Ideias da Filosofia Portuguesa nos Últimos Cinquenta Anos, in Revista Portuguesa de Filosofia, LI, Abril – Junho, Braga1995, pp. 355 – 376.

 

FERREIRA, João, A Existência da Filosofia Portuguesa, in Revista Portuguesa de Filosofia, XV, Abril – Junho, Braga, 1960, pp. 187 – 202.

 

FERREIRA, João, Fundamentação da filosofia portuguesa, in Álvaro Ribeiro e a Filosofia Portuguesa. Lisboa, Fundação Lusíada, 1995.

GAMA, José, História da Filosofia em Portugal -  Tópicos para um curso e indicações bibliográficas, in Revista Portuguesa de Filosofia, 38,  Braga, 1982, pp. 365-382.

RENAUD, Michel, O ensino da Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, in Revista Portuguesa de Filosofia, LI, Janeiro Abril - Junho, Braga, 1995, pp.295 – 312.

 

TEIXEIRA, António Braz, Filosofia e Religião no Pensamento Português Contemporâneo, in Revista Portuguesa de Filosofia, LI, Janeiro Março, Braga, 1995, pp. 43 – 85.

 

 

 

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07 de Setembro de 2007

 

 

Mercê de uma deficiente concepção da razão e das demais dimensões antropológicas, supõem-se as experiências espirituais, mormente as místicas, como sendo infra – racionais, e assim subjectivas, obscuras, esteadas numa qualquer primitividade entretanto suplantada pelo aclamado progresso histórico. A sociometria positivista e secularizada, justificada pelo seu triunfo técnico, é entretanto o proscénio onde comparecem a nihilização da vida, a rendição do maravilhoso ao cousificante sistema de objectos, a efemerização do quotidiano por mor da aceleração dos tempos interiores ao compasso do digital, o economicismo funcionalista desvitalizado, ou o homem como peça ou função de uma machina mundi cada vez mais literal. Se a tecnociência é o único critério avaliativo eleito, tudo o que não estiver conforme é postergado por obsoleto. O Mind and Life Institute, é rara sede onde se intenta um rumo diferente, avaliando cientificamente a contemplação, e contemplativamente a ciência, surpreendendo nas experiências místicas uma elevação supra – racional que não é senão uma avançada tecnologia espiritual, e considerando ainda a espiritualidade como a ciência maior, a Scientia Dei. Embora submetido ao risco de materialização do que é essencialmente qualitativo, dividindo assim o que é uno e unificador, e posto que na estrita dependência de uma escola budista consabidamente formal e algo desvirtuada face ao fulcro originário, este instituto ganha o interesse de incentivar os investigadores a praticarem meditação para que se dissolva a dicotomia epistemológica entre sujeito e objecto, típica da nossa herança maniqueia, omnipresente na nossa ética de bem e mal, na nossa lógica de verdadeiro e falso, na nossa ontologia de ser e não ser ou de eu e o outro, quando a vida nos apresenta uma união inextrincável ainda que de diferenças mantida.
 
Outras leituras :
Para uma diagnose de um lastro patológico no pensamento ocidental, consulte-se a esclarecedora exposição de N. MAXWELL, From Knowledge to Wisdom - Revolution in the Aims and Methods of Science, Oxford, Blackell, 1984. Para uma visão das implicações arqueológicas e alargadas que a ciência de ponta implica, vejam-se de Fritjof CAPRA, The Tao of Physics: An Exploration of the Parallels Between Modern Physics and Eastern Mysticism, Berkeley, Shambhala Publications, 1975, e de Lynne MCTAGGART, The Field, The Quest for the Secret Force of the Universe, NY, HarperCollins Publishers, 2002. Já numa perspectivação neuroteológica, leia-se de Andrew NEWBERG, e Eugene D’AQUILI, Why God Won’t go Away, NY, Ballantine Books, 2001, ou o precursor do interesse do MIT pelas avaliações neurocientíficas no âmbito da meditação, de James H: AUSTIN, Zen and the Brain, MIT Press, 1999.

 

 Mind and Life Institute

 

  

 

 

 

 

                                              

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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

Contos da Keiko

 

Texto introdutório de homenagem às Bordadeiras e Rendeiras
 
Também na tradição japonesa “O Trabalho com Agulhas” fazia parte da educação para mulheres.
As pessoas valorizavam estes trabalhos, como cozinhar, coser, bordar, fazer renda, etc.
Muitas viúvas conseguiam sobreviver com a agulha.
Agora, não há uma única rapariga que pregue botões. Preferem ocupar-se com outras actividades.
O ter de fazer sempre diariamente o mesmo trabalho é enfadonho. Mas as nossas antepassadas faziam-no e mantinham estas artes.
São pontos e pontos, linhas e linhas, transformados em beleza, arte e tradição.
 
Vamos abrir os olhos?
Vamos acordar?
  
 
 ----/----
 
 
Dona. Janeleira
 
Na casa de pedra, uma senhora janeleira. Está a bordar em tecido de linho que ela própria plantou e teceu.
Espera o regresso do marido.
Passa a Primavera, o Verão, o Outono e o Inverno…
Quantos X em cima do calendário quantos X em cima do tecido…
Agora, não tem nenhuma lágrima que molhe o tecido.
Na lareira, a sopa de pedra na panela de três pés.
 
Com o barulho do vento, ouve alguém bater à porta.
- Quem é?
- Sou eu!
No dia seguinte, uma toalha de linho: Vende-se.
 
 
 ----/----
 
 
 Escolha
 
Sara abriu a arca de madeira de um tom castanho-escuro, com chave de ferro antiga. É o seu enxoval.
Tirou uma toalha branca feita pela sua bisavó.
“Minha avó contava-me muitas vezes sobre a bisavó…”
O nome da bisavó também era Sara.
Ela trabalhava no campo.
Nessa época não havia luz eléctrica. Quando à noite fazia renda precisava de acender a vela.
Toda a família da bisavó se juntava perto da vela. Alguns trabalhavam com madeira, outros liam. A bisavó Sara aprendia renda com a sua mãe.
A mãe da bisavó sempre dizia:
- Vida de mulher é como fio de renda. Às vezes os fios emaranham-se, depois é difícil desemaranhar. Quando se trabalha com mais experiência, atenção e vontade, nada se perde.
Sara devolveu a toalha à arca e murmurou:
“Vou fazer 5 bolos de mel para vender e comprar a vela para a Primeira Comunhão do meu filho mais novo…”
 
Quem mais tarde vendeu a toalha da bisavó Sara , foi seu filho mais novo para comprar um novo leitor de DVD.
 
 
----/----

 

 

Herdeira
 
Na reunião de família para dividir a herança do avô:
Está frio, desagradável. Não há sequer espaço para entrar um rato pequeno.
Ninguém diz nada. Olham-se entre si com um ar desconfiado.
A mais nova, Helena, levanta-se e pede aos outros:
- Eu queria um lençol da mãe. Só isso!
“Esse lençol que a mãe sempre usava, muito esfregado e que tinha muitos remendos.
 
A mãe sempre dizia: - O linho verdadeiro quanto mais se lava mais suave fica e junta-se à pele…
Nunca consegui continuar na escola, mas felizmente consegui aprender a cerzir…
As vossas roupas nunca tinham buracos. Trabalhava muito, não fiquei rica, mas consegui sempre remendar a minha vida.”
 
Helena está a pensar:
“Não há nada tão valioso como este lençol!”
 
 
----/----
 

Queima – queixume – quinhão
 
Ainda havia uma cortina de fumo nos eucaliptos quando a família de Miranda entrou em casa.
Sem telhado nem janelas, parece uma casa abandonada depois de uma guerra.
Salvou-se um armário antigo de carvalho, madeira maciça e pesada, que o bisavô fizera. A avó, a mãe e Miranda costumavam esfregá-lo com cera de abelha.
Estava um pouco queimado por fora mas dentro, como a galinha protege os pintos, as jóias da família estavam a salvo.
Os homens tiram as jóias com as mãos sujas de fuligem. Restou apenas uma toalha de linho.
Vertiginosamente, antes que se instalasse nela qualquer tristeza, uma ideia passou pela cabeça de Miranda:
 
“Como é que se limpa esta fuligem da toalha…”
 
 
----/----

O bilhete de ida
 
- Avó, avó, vamos tomar chá…
Avó Maria estava a fazer croché na soleira da porta.
- Avó… Avó…
Não ouve. Não responde.
A neta vê que a avó Maria adormeceu. Tem os olhos fechados e viajou para o além.
No seu regaço, uma renda para almofada com um padrão de anjos.
 
 
 ----/----
 

Numa aldeia da Beira Baixa
 
As mulheres, no Inverno, reúnem-se no lugar mais ensolarado e no Verão, à sombra das casas.
Um, dois, três…
Habituadas a juntar as cadeiras pequenas na rua, trabalham com agulhas de croché e fios.
As notícias da aldeia correm rapidamente de boca em boca.
E as notícias passam do dedo para o fio tricotado.
 
Pronto.
Aquele naperon é feito da notícia do tio Manuel que caiu da escada no dia da colheita da azeitona e bateu com as costas.
 
O assunto da nora é sempre feito de fios apertados,
 não é?
 
 
----/----
 

A mão da mãe
 
Passado muito tempo, Pedro volta à casa da mãe.
Não há nenhuma diferença desde que ele saiu de casa.
O telhado vermelho, a parede branca, a janela quadrada debruada de azul e decorada com a cortina de croché.
Ao lado da janela, em cima da mesinha, uns óculos de velha, agulhas e renda ainda por acabar.
- Meu Deus! Desde que passou a Euros que nunca me consigo lembrar do preço do pão!
Em cima do fogão, dentro da panela de terracota, a açorda está a cozer.
- Desculpa, não sabia que vinhas. Os meus dentes estão podres e só aceitam isso…
As mãos da mãe, com muitas rugas, desenham ovos em cima do pão cozido, como uma renda.
 
 
----/----
 

A sesta
 
“Olé mulher rendeira
Olé mulher rendá
Tu me ensina a fazer renda
Que eu te ensino a namorar…”
 
Uma menina canta na escada de pedra, com vista para o porto.
Na sua mão os bilros bailam qual dança folclórica.
Debaixo da escada, as ondas do mar criam muita espuma branca. Parece uma renda de bilros, com os seus fios brancos.
Ao som das ondas, os pauzinhos tocam uma serenata, convidando os gatinhos à sesta.
 
Zabunnn, Zabunn, Zabunn… Zu…
Tru, Tru, Tru, Truuu…
 
 
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A competição
 
- Mãe, olha para cima da janela!
A Catarina chama a mãe, o dedo apontando uma teia de aranha.
A aranha-rainha cria um naperon de bilros, decorado com uma borboleta azul e preta.
 
O tempo passou. A Catarina já tem cabelos brancos. Está a trabalhar com bilros.
As netas chamam:
- Avó, avó, olhe! A aranha-rainha copiou o seu desenho!
 
Quem ganha esta competição?
Deus é que sabe!
 
 
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No convento
 
- Silêncio!
A Irmã grita como sempre.
Um quarto grande, frio e cinzento. No convento dez meninas da nobreza aprendem renda de bilros.
A educação das mulheres nessa época incluía rendas e bordados, para aumentar o valor feminino.
- O meu enxoval ainda é pequeno…
Uma menina suspirou.
- Olha, aquela menina com cabelo louro. O pai fracassou nos negócios.
Uma menina faladora cochichou.
- Se calhar vai vender tudo o que fez. Podemos falar com ela!
A menina loura ouviu a conversa de maledicência mas continua a rolar os pauzinhos e a passar fios de linho, puxando com firmeza.
Ninguém sabe esse segredo. Só a luz da clarabóia , iluminando as suas mãos.
Uma lágrima cai…
 
 
----/----
 

Uma historia de amor
 
Onde existe a mão do homem existe a ligação à natureza.
Na estação em que floresce o linho o campo fica colorido de azul como se fosse a continuação do céu.
O linho ceifado e branqueado com água da ribeira e cinza da palha deixa as fibras tão brancas como as nuvens do céu.
 
A Águeda gosta muito de fiar e tecer.
Todos os dias, se senta em frente do tear e tece o tecido de linho.
Quase todas as meninas da aldeia estão a trabalhar na cidade, mas a Águeda ficou lá. Enamorou-se de um pastor, um rapaz chamado João.
O coração da Águeda está sempre branco e flexível como o linho.
O coração do João está sempre brando e fofo como a lã de ovelha.
 
Quando o sino da igreja toca, a maioria das pessoas da aldeia vão para a missa de domingo.
Os ricos vestem de forma vistosa, os pobres roupas remendadas.
Alguns rapazes decoram o seu bolso com “Lenços de Namorados”.
Entre eles há uma competição. Quem tem o lenço mais lindo?
 
Gostou tanto dele
Quem só se açoia ao domingo
Dei um lenço ao meu amor
Pra ele açoiar o pingo
 
As raparigas bordam as palavras de amor e decoram com lindas lendas.
Hoje o João recebeu um lenço muito branco, bordado a vermelho, com desenhos de flor de linho:
Só a ti amo
Mais ninguém…
 
 
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A tricotar
 
Os fios, em comprimento e largura, cruzam-se, enroscam-se, dobram-se, separam-se – vão e vêm.
 
Naquela manhã a Fernanda e o Jorge encontraram-se perto da fonte. Ela está sentada a tricotar filé. Ele tira água com um balde.
A Fernanda deita um olhar para o Jorge, mas as mãos caminham ritmadamente como dedos-soldados.
O coração dela bate toc toc toc…
E a agulha continua o vaivém no mesmo buraco.
 
Entretanto o Jorge tira água com o balde sem fundo. A água cai,                                          
doc doc doc…
 
O amor começa com dois fios. Quem comanda é o Deus do Destino.
 
 
----/----
 
 
Contrapesos
 
No canto do café, ao lado da janela, uma mulher está a fazer croché com toda a firmeza.
Aos seus ouvidos chegam os ecos do marido bêbado.
“Ai, ai… Quando é que ele vai deixar de beber… Quando falta o trabalho aumenta a bebida… Como é que Deus nos faz sofrer tanto…”
Os fios de algodão colhem os murmúrios das mulheres…
 
 
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Tricô de felicidade
 
Em Lisboa, no Jardim do Príncipe Real, uma senhora sentada no banco de ferro, debaixo da árvore grande.
Está a tricotar um par de meias de bebé.
O bebé vai nascer antes do Natal. É o seu primeiro neto.
Não sabe se é menino ou menina… Mas se calhar a cor amarela serve para os dois.
 
Foi numa retrosaria, esquecida no extremo do bairro, que comprou o novelo de lã fofa.
 
Um raio de sol passa pelo alfinete preso ao seu ombro.
Tricota com amor e esperança.
O trabalho é fofo como um pintainho amarelo.
 
 
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Plausibilidade
 
Numa das margens do rio Tejo há um banco de madeira em cima do passeio.
No banco estão sentadas três mulheres como se tivessem sempre lugar reservado. São um grupo de bordadeiras de Arraiolos.
Uma delas, a senhora mais idosa, diz:
- Não é um bordar fácil! O fio de trás tem de ter sempre a mesma direcção… Muitas pessoas reclamam: “Os chineses copiam o Arraiolos!” Mas isso não me incomoda. Eu bordo para mim própria. O mais importante é como cada um vive a sua vida. A minha arte é isto! Ninguém consegue copiar a minha vida!
Levanta o tapete e mostra orgulhosa a metade já concluída.
 
O desenho no tapete?
O cravo vermelho – símbolo da revolução em Portugal.
 
 
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Ponto de sombra
 
Dona Maria é uma senhora Madeirense.
Muito trabalhadora, séria, religiosa, e teimosa.
Quando nasceu a terceira filha, o marido faleceu.
Com três pequeninas, única a trabalhar, só consegue ficar em casa. -  É bordadeira.
 
Desde pequena, Maria aprendeu bordados de Madeira.
O seu enxoval é todo feito por ela.
 
Maria foi a casa de uma senhora que organiza produção de bordados de Madeira.
-Minha senhora, eu preciso de trabalho!
A partir desse dia, como um relógio, Maria começa a bordar.
                  
Acorda ao nascer do sol, à noite com luz da vela,
Trabalha, borda….
As filhas também aprendem com a mãe.
Os lindos bordados pagam a educação das filhas. É o seu único meio de sobrevivência.
 
No dia da Revolução de 25 de Abril 1974 - decidiram ter  luz eléctrica .
-Que bom! Não nos precisamos mais de preocupar em perder as agulhas!
As filhas estavam muito contentes.
- Mãe tira o teu chapéu! Agora não há sol.
Maria estava a bordar com o chapéu para o sol.
-Olhem filhas! A luz eléctrica é demasiado brilhante. Os olhos doem!
-Preciso fazer sombra.
 
Uma técnica de Bordados da Madeira chama-se
`` Ponto de sombra´´.
 
 
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Sonho
 
-Não há?! Não chegou?!
Todos os dias, uma mulher vai perguntar à alfândega no Cais de Lisboa.
Na Revolução de Moçambique, antes de sair do país, a família de Filomena mandou muitos pacotes pelo transporte de barco.
Chegaram a Lisboa só dois.
Um, tinha lençóis, e o outro, livros.
- Onde está o meu enxoval! Coisas da bisavó, avó, mãe, e minhas…
 
Esperou quantos anos…
 
No fundo do mar, na floresta de algas, os naperons de Mena, dançavam como medusas de mar, os bilros decoravam conchas com luz azul…
Às vezes os pescadores descobriram os peixes tão bonitos, enfeitados com figuras de renda…
 
 
Autoria: Keiko Kamozawa
 
            

 


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publicado por salvamedtrad às 17:06

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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

Entrevistas SALVA

À conversa com…
Prof. Francisco Castro
 
Francisco Itamar Castro nasceu em 1953 em Camaquã, no interior do Rio Grande do Sul, no Brasil. É criado numa fazenda, num ambiente natural e saudável. O pai e a avó materna cultivam nele o interesse pelas plantas. Aos três anos, já reconhece uma infinidade de plantas medicinais. Aos quatro anos, sabe ler, escrever e fazer contas e diz querer ser médico. Faz a primária no Colégio Marista, optando depois pelo ensino oficial, para poder ingressar na universidade de Medicina estatal. Passa do quarto para o sexto ano e termina o liceu com 16 anos. Seguem-se oito anos na faculdade de Medicina. Especializa-se em Psiquiatria que nunca exerce. Trabalha em vários hospitais e nas urgências até abandonar a medicina e se dedicar à investigação. No Instituto Beneficente à Pesquisa Cientifica regressa às origens, ao imenso mundo das plantas.
O destino seguinte é o Oriente. Passa seis anos no Japão como professor universitário e, paralelamente, estuda medicina tradicional chinesa. Faz mestrado em Pequim e estagia num hospital na própria China. Regressa ao Japão por mais dois anos. Funda uma clínica onde trabalha como terapeuta de medicina chinesa.
Numa viagem inesperada ao nosso país, depara com um potencial natural que o fascina. Aqui, sente-se em casa, com uma grande afinidade com o povo e os locais. Vive em Portugal há doze anos. Para além do trabalho que desempenha na Associação Salva é representante delegado da Universidade de Pequim.
 
 
  
Quais são as técnicas que utiliza no exercício da medicina tradicional chinesa?
 
As mais importantes são doze. A técnica principal é o kikoo. Um terapeuta tem de saber lidar com a energia e preparar o seu corpo para trabalhar em medicina chinesa. É um conhecimento vital. O yakuzen é uma técnica de alimentação, complementada pelo kampoyaku que inclui a fitoterapia e a farmacologia. A tuina, a reflexologia e a anma são técnicas de massagem. A acupunctura, com uma complexidade imensa, a moxa, que também utiliza agulhas, e a suitama, que utiliza ventosas, são outras técnicas básicas. As duas últimas são técnicas de adivinhação, digamos assim: o I Ching e o Feng Shui. São a parte espiritual da medicina chinesa.
 
 
Mencionou essas duas técnicas em último lugar, mas a vertente espiritual é muito importante na medicina chinesa.
 
Sem dúvida. O I Ching é a consulta do oráculo. Antes de fazer um tratamento, devo consultar o oráculo para saber quando será mais adequado intervir. Isso implica o conhecimento do Feng Shui, ou seja, a influência das energias da natureza sobre o indivíduo. Feng Shui significa Vento Humidade que são consideradas as energias perversas da natureza. Devo ter sempre em conta o micro-universo em que eu e a pessoa a tratar estamos incluídos. Tenho de conhecer as condições básicas da natureza naquele momento – se está um dia de chuva ou sol, se está um dia ventoso ou húmido. E é isso que determina o sucesso ou o insucesso do tratamento.
 
 
 Como vê o uso isolado da acupunctura em Portugal?
 
Estamos longe de praticar uma medicina chinesa ideal, mesmo utilizando as doze técnicas. Eu também tenho limitações e aceito-as. A perfeição existe mas dificilmente se atinge. Os terapeutas que têm um conhecimento limitado podem fazer um bom trabalho. O que mais conta é o impulso no sentido de ajudar. Temos de acreditar em algo maior do que apenas uma técnica.
 
 
A medicina tradicional chinesa pode ser completada pela medicina ocidental?
 
Num politraumatizado que chega às urgências de um hospital não se pode aplicar apenas a medicina chinesa. Ela tem realmente de ser complementada por outra medicina. Mas o trauma é do corpo, da mente e do espírito. Logo, também não se deve socorrer apenas o corpo. Se a alma abandona o corpo, o corpo não serve para nada.
 
 
A medicina moderna é necessária?
 
Penso que sim porque a complexidade dos problemas que temos actualmente não se resolve só com a medicina chinesa. Mas a medicina científica, sozinha, também não responde a todas as necessidades, e é cara. Além disso, só actua quando já existe uma doença, uma deformação ou uma disfunção. Para a medicina chinesa, aí é tarde de mais. E em termos preventivos, a medicina moderna também falha, até por uma questão de tempo. Os médicos estão tão atarefados a tentar salvar pessoas doentes e em estado muito grave que acabam por não ter tempo para investir na prevenção.
 
 
O ideal era haver um apoio do próprio Estado para o médico ter mais liberdade e poder dedicar-se plenamente ao seu trabalho.
 
Na verdade há. O estado tenta financiar a saúde mas também não consegue. O grande problema da medicina moderna é que ela acaba por ser inviável. Os médicos não conseguem vencer os problemas que se acumulam, e o dinheiro que o Estado investe é sempre pouco. Um surto de gripe leva milhares de pessoas até às urgências e isso custa imenso dinheiro ao Estado. Mas essas pessoas não ficam protegidas de modo a não terem o mesmo problema no ano seguinte. Se cumprissem os princípios da medicina chinesa, nem chegavam a adoecer, ou as que por acaso adoecessem, iam gerir o problema de maneira diferente, com um custo muito menor para elas e para o Estado. Tinham aprendido a lidar com a doença e não precisariam de recorrer às urgências do hospital aonde hoje se vai por qualquer motivo.
 
 
As crianças deviam aprender desde logo a evitar as doenças?
 
A medicina devia passar por um processo pedagógico em que as pessoas aprendessem a diminuir o sofrimento. E é isto que distingue a medicina chinesa da medicina moderna. A medicina chinesa explica à pessoa por que motivo ela chegou àquele ponto de doença e ensina-a a evitar essa situação ou outra pior no futuro. Este processo pedagógico devia começar realmente na infância. Na própria escola, podiam ensinar as crianças a ser saudáveis e aí teríamos uma sociedade com um perfil completamente diferente do actual.
 
 
Que características deve ter um terapeuta de medicina tradicional chinesa?
 
Antes de mais deve ter um impulso natural de solidariedade. Tem de haver esse chamamento interno e a vontade de dedicar a vida ao outro. Para isso, é preciso ser saudável. O terapeuta deve ser o primeiro a levar uma vida disciplinada para poder servir de ponto de referência. Deve ser o espelho do que é a Saúde. Um terapeuta também não pode ficar doente. E, se for necessário, o terapeuta tem de se tratar a si próprio. Assim sente na pele os efeitos do tratamento. Eu próprio uso a medicina chinesa no sentido da prevenção que é o que ela tem de melhor.
 
 
Sendo a medicina chinesa essencialmente uma medicina de prevenção, a doença e o sofrimento têm algum significado para um oriental?
 
Na verdade a medicina chinesa defende que se actue antes ainda da prevenção. Quando se fala em prevenção já se pressupõe o início de uma doença. Segundo esta medicina, não deveria existir a doença nem o sofrimento. Mas as pessoas sofrem e adoecem porque têm vícios e não cumprem determinados princípios.
 
 
E os terapeutas cumprem de facto todos esses princípios?
 
É claro que estou a falar em termos ideais. Bons e maus profissionais existem em todo o lado e os maus profissionais acabam obviamente por não os cumprir. Mas aí já se trata de um problema individual.
 
 
Como é que a medicina tradicional chinesa lida com problemas do foro psíquico?
 
Não há separação entre o corpo e a mente ou entre corpo e espírito. A pessoa é vista como um todo.
 
 
Um problema de origem psíquica é tratado da mesma forma que um problema orgânico?
 
Não sobrevalorizamos este ou aquele problema. Problemas são problemas. A pessoa funciona ou não funciona. Ela pode não ter um problema orgânico, mas se estiver infeliz, está doente na mesma.
 
 
E aí a medicina tradicional chinesa pode ajudar?
 
A medicina chinesa, como qualquer outra medicina tradicional, baseia-se na vontade de ajudar. Se houver um impulso nesse sentido, a ajuda é sempre válida, seja qual for o problema. Se uma pessoa tem uma doença terminal, podemos ajudá-la a morrer – com dignidade, com serenidade e em paz.
 
 
Que filosofia norteia a medicina chinesa?
 
A medicina chinesa baseia-se no princípio filosófico do taoísmo que reforça muito a fé no indivíduo e no nosso criador. No Ocidente, o pilar da sociedade é o cristianismo, fundamentalmente. Mas se virmos as coisas de uma forma mais ampla, Cristo aplicava o taoísmo. O princípio de dar a outra face tem muito a ver com o yin e o yang, os dois aspectos de uma questão. Não devemos ver as coisas apenas de um ângulo – do Bem ou do Mal – mas sim como um todo e com amor a esse todo.
 
 
Podemos dizer que o conhecimento antigo da medicina chinesa está incorporado no conhecimento que Cristo nos trouxe?
 
Cristo é a expressão de todo o conhecimento, de tudo o que existe. Como modelo ideal, como referência enquanto ser humano, Cristo expressa essa perfeição que os taoistas já defendiam. A palavra Cristo vem do grego Khristos, que significa o emanar da luz, o conhecimento pleno ou a perfeição.
 
 
O taoísmo é compatível com os valores do cristianismo?
 
Sim, não vejo conflito entre os dois. Até porque o cristianismo é uma religião que se traduz numa forma organizada de a sociedade se tentar aproximar de Deus, enquanto o taoísmo é uma forma de ver a natureza e o ser humano, mas não é uma religião.
 
 
Segundo o taoísmo, qual deve ser a maior virtude de um ser humano?
 
A maior virtude é praticar todas as virtudes. A palavra virtude significa vértice. Temos um vértice virado para o céu e outro virado para a terra. Somos um ponto de ligação do céu com a terra. A palavra religião também propõe uma ideia igual, ou seja, de ligar a terra – as coisas materiais, ao céu – as coisas divinas. No taoísmo a prática da virtude é mantermo-nos sempre coerentes com a nossa verdade interior, com as influências da terra, do mundo terreno, e as influências do céu, do mundo espiritual. Na medicina chinesa, concretamente, o que vem do céu é o oxigénio, a luz do sol e a energia, e o que vem da terra é a água e os alimentos.
 
 
Qual é então a fórmula para uma vida saudável?
 
O nosso corpo tem uma inteligência e percebe quando algo está mal ou vai correr mal. Para além dos sentidos normais que utilizamos no dia a dia, temos uma capacidade de perceber a energia do momento. O corpo avisa-nos e dá-nos sinais de perigo. Na maioria das vezes, as pessoas entram em pânico porque não sabem fazer a leitura correcta desses sinais. Na medicina chinesa diz-se que a dúvida é o início da doença. Quando a pessoa fica desalinhada e não consegue estar nem agir na vida na sua plenitude, está doente. Devemos viver a vida sem dúvidas, sem receios, sem pressa. Não devemos procurar a felicidade. Se ela é algo tão raro, especial ou frágil e apostamos a vida nessa procura, temos todas as hipóteses de fracassar. Para quê esperar por algo mais excepcional do que a própria vida? Devemos estar conscientes de que podemos ter tanto alegrias como tristezas. Umas e outras têm de ser vividas a cem por cento. Só assim atingimos o equilíbrio e evitamos a doença.  
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Elsa - Reflexologista – SALVA Madeira (2006.04.12)
Um sonho realizado
Elsa iniciou a formação de Reflexologia na SALVA através da APEDV (Associação Promotora de Emprego de Deficientes Visuais). Já tinha concluído o curso de Fisioterapia quando na APEDV lhe falaram de um curso de Reflexologia, orientado pelo Dr. Francisco Castro, inicialmente previsto para 3 meses. “Acabei por ficar um ano e fazer o exame na China”. Actualmente já tem 6 anos de prática. Concluiu o curso em 2000/2001 Elsa                                                e ficou a acompanhar o Dr. Francisco nos tratamentos, na SALVA de Paço de Arcos.            
Falámos pelo telefone porque a Elsa trabalha na SALVA da Madeira há já 2 anos. Ficámos a saber o que pensa e sente esta jovem da sua actividade, a única Reflexologista invisual diplomada pela Universidade de Pequim – China, com a classificação mais elevada. De que forma esta experiência melhorou a sua vida e de que forma contribui para melhoria da saúde dos Sócios que atende todos os dias.

É preciso ter uma sensibilidade especial para exercer esta actividade?

Não sei se tem a ver com a sensibilidade. A minha situação é diferente. Não me posso comparar com um normal visual. Tenho uma maneira de viver diferente, uma maneira de ver diferente. Para mim, eu não tenho problemas em desempenhar esta função. Por isso eu gosto muito dela. Eu acho que no meu caso que tenho esta limitação é das terapias que podemos desempenhar com mais facilidade.
Já mesmo na Fisioterapia sentias isso, não é?
Na Fisioterapia também.
Mas o que a Reflexologia te trouxe para conhecer melhor as pessoas? Não houve aí um aprofundamento a esse nível?
Claro, porque diariamente a gente está a lidar com pessoas novas, entram e saem pessoas novas. Nós temos contacto com pessoas de vários níveis. É totalmente diferente do que trabalhar noutra área.
Mas eu também me referia a conhecer a pessoa em termos psicológicos, a esse nível também, não é? Porque tu, pelo estado geral da pessoa…
Tem a ver muito com a parte emocional. Muitas das vezes notamos que as pessoas se queixam e não é propriamente uma doença que elas têm, mas sim um desequilíbrio emocional. Isso é uma coisa que se vê muito bem no pé.
No fundo é como um mapa do estado geral da pessoa, não é?
O pé é totalmente a representação da pessoa. Por muito que a pessoa queira esconder… Uma pessoa que conheça o pé conhece a pessoa. Não precisa de perguntar muita coisa. Não é só a função dos órgãos, se estão em desequilíbrio, como a parte emocional, também conta muito. Através do pé você tem uma noção de que forma é que a pessoa vê o mundo. Nós ao mexermos naquele ponto, mexemos com a pessoa. Por muita coisa que a pessoa até tenha guardada dentro de si ela deita-a cá para fora.
Gostei daquela tua frase em que dizes que por mais que as pessoas queiram esconder os seus medos…
Ao mexermos na outra pessoa mexemos com a sua energia, e se ela sentir segurança em relação a nós, desabafa…
Confiança que se vai conquistando também com o relacionamento…
Tem de haver uma boa relação entre o terapeuta e o paciente, a pessoa em si.
E tu podes ajudar as pessoas a ultrapassar certos bloqueios assim, não é?
Porque não interessa só massajar. Também é da nossa parte usar um pouco de psicologia, também temos de saber lidar com as pessoas. Porque muitas vezes as pessoas chegam aqui revoltadas, contrariadas da vida, e a seguir vão totalmente diferentes, nem parecem a mesma pessoa. Nós começamos a fazer um tratamento com a pessoa que vive mal com a vida como a gente costuma dizer, ao longo do tratamento a pessoa já olha para nós com outros olhos, e já vê a vida com outros olhos.
Só agindo sobre o físico neste caso, não é? Desbloqueando aqueles pontos que estão em tensão…
Porque muitas das vezes os dramas, os medos, a maneira da pessoa ver a vida depende do equilíbrio do órgão, está a perceber? Por exemplo, a gente sabe que uma pessoa que tem pavor de tudo, tem medo do escuro, tem o rim completamente estragado. O rim está ligado aos medos. É assim: muitas das vezes, quando as pessoas vêm pela primeira vez e começam a falar, eu já vejo mais ou menos também o problema delas.
E depois confirmas com a observação do pé.
E confirmo com a massagem. Notamos que aquelas pessoas que são pessimistas, que acham que todas as desgraças lhes acontecem, sabemos que ali há uma disfunção do baço. É um desequilíbrio energético provocado pela parte emocional.
E já te aconteceu aparecerem pessoas muito medicadas, que se auto-medicam e assim…
Claro que sim. Tem de tudo um pouco. As pessoas que tomam medicação por conta própria temos de as esclarecer e deixam de tomar aquela medicação. Agora aquelas que tomam medicação aconselhadas pelo médico não nos devemos pronunciar porque é do foro da medicina convencional. E aí nós vamos fazendo a nossa parte e elas, à medida que vão melhorando, o médico delas é que vai retirando a medicação. Isso acontece muitas vezes.
Mas notas que as pessoas estão muito dependentes de medicamentos, para qualquer coisa encharcam-se em medicamentos?
As pessoas dependem muito da medicação por esta simples razão: muitas vezes é porque é mais fácil ir à farmácia levantar uma receita, está a perceber? Não perdem tanto tempo a vir ao tratamento, os tratamentos também não são muito baratos, o poder económico em que as pessoas vivem actualmente… São várias razões que fazem com que as pessoas, levem à medicação. 
Quando dizes que é mais fácil para as pessoas irem às farmácias achas que é uma certa negligência em relação à sua saúde, que não a ponham no primeiro plano, digamos assim, da sua vida?
Não. As pessoas só recorrem aqui à terapia quando estão mesmo mal e já não aguentam mais, elas não vêm como prevenção.
Que era o ideal…
Era o ideal. Porque principalmente a medicina chinesa trabalha muito como prevenção.Mas isto não. As pessoas quando chegam aqui, muitas das vezes, é quando já correram mil e um médicos e não tiveram solução e vêm à procura do último remédio, o último recurso.
Que problemas mais frequentes notas nas pessoas?
Ultimamente está a haver muita depressão, mesmo na malta jovem.
Depressão? Mesmo com esse sol maravilhoso da Madeira?
Sim. Mesmo na classe etária jovem.
Será porque dormem pouco? Saem à noite, esses hábitos nocturnos?
Não sei se tem a ver com isso.Está ligado ao tipo de educação que tiveram em casa, a seguir a entrar no meio do trabalho, isso também altera muito.
Será porque têm uma vida muito sedentária?
Têm uma vida muito sedentária. Recorrem muito à televisão e ao computador. A falta de exercício causa má circulação. A má circulação pode aumentar o colesterol, pode aumentar o açúcar, pode haver aumento das placas, pode haver um engrossamento do sangue. Muitos jovens de vinte e tal anos têm o colesterol muito alto. Não é normal nestas idades, é próprio da meia idade. É devido a uma vida muito sedentária.
Para a tua vida, como é que te tratas, como terapeuta?
O que eu posso fazer, eu faço. O que eu não posso, aproveito quando o Dr. Francisco vem cá para me queixar.
Mas sabendo que uma vida muito sedentária não faz bem, que uma vida stressada também é prejudicial, como é que tu fazes para manter a saúde, o equilíbrio?
Tento fazer os possíveis. É assim: também temos de pensar que a alimentação é fundamental. Na alimentação, tenho muito cuidado. Faço menos exercício mas cuido muito a alimentação. É uma forma de compensar, mas o exercício também é fundamental. O exercício que mais faço é andar a pé, mas mesmo assim ando pouco.
E para a tua vida, o que é que a Reflexologia te trouxe? Essas experiências todas, a ida à China, houve alguma mudança em ti?
Trouxe. Uma forma de ver as coisas diferente, um maior conhecimento sobre a alimentação, um conhecimento sobre a saúde de uma forma diferente.
E o facto de teres sido, no exame final na China, a única invisual não chinesa diplomada pela Universidade de Pequim e pela Associação Chinesa de Reflexologia. E com a classificação mais elevada. Isso não te deu uma certa sensação de pioneira?
Pioneira? Não. Eu não ligo a isso. É assim: Para mim o que tem valor é depois de eu desempenhar um tratamento durante algum tempo e ver as pessoas recuperarem. A minha satisfação está aí. Não está no que as pessoas dizem ou deixam de dizer. As notas… Muitas vezes os melhores médicos não são os que têm as notas mais altas. Mas sim cumprir a minha função. O que interessa é o que as pessoas sentem, a maneira como reagem. Eu não sou melhor que ninguém. Agora é assim: eu faço o que eu sei. E quem não sabe mais do que sabe a mais não é obrigado.
Finalizámos a nossa conversa referindo que os Sócios de Paço de Arcos ainda se recordam da Elsa com carinho. Assim como a Elsa se recorda dos casos individuais e das suas necessidades específicas.

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Carlos Batalha - Shiatsu, Yoga, Medicina Ayurvédica, sobre o Dr. Assis Milton e “as estrelas no céu escuro”.
Síntese de todos os saberes…
O Carlos Batalha procura uma síntese das diversas técnicas e conhecimentos que vai adquirindo: Shiatsu, Yoga, Medicina Ayurvédica.
Começaste com as artes marciais, Carlos?
Sim, comecei com as artes marciais, porque fiz várias operações e quando era pequeno houve uma altura em que estive vários meses na cama, em Espanha. Então depois quando voltei – eu já tinha alguma debilidade física e ficou acentuada. Um professor de Educação Física disse à minha mãe que seria bom eu fazer artes marciais e que havia a possibilidade de se arranjar… e eu comecei por treinar artes marciais chinesas.
Pensei que tinhas começado por fazer yoga para a visão.
Isso foi muito mais tarde. E depois por causa das artes marciais comecei a gostar, comecei a saber algumas coisas da filosofia oriental, minimamente, e à medida que fui crescendo comecei a perguntar-me: De onde é que isto vem? Como é que as pessoas descobriram isto? Como é que alguém pensou… Na nossa sociedade foi a questão da agressão, agride-me, vou agredir. Como é que alguém pôde pensar: Ele agride-me e eu vou fazer de uma maneira que o posso imobilizar, sem que haja agressão ou ainda pensar numa maneira em que uma imobilização vai ser benéfica para a pessoa que é, em princípio o agressor? E todas essas coisas… Então comecei a interessar-me, comecei a estudar a filosofia e comecei a perceber que havia a questão religiosa, quer o budismo, quer o taoismo, como depois mais tarde vim a saber também o induísmo, o papel que tinham tido nessas artes marciais.
Mas para estudares artes marciais tiveste de ir para uma escola…
Sim, comecei a aprender com um professor como toda a gente cá faz.
Mas que técnica?
Eu aprendi um estilo de Kung Fu que se chama Feng Shô – Mão de Vento, foi a técnica que eu aprendi um pouco mais. E depois há milhentos estilos. Nas artes marciais chinesas há muitos estilos. Comecei a aprender e depois mais tarde pratiquei outras coisas, mas o que isso fez foi que à medida com que eu não ia encontrando respostas na religião católica em que fui educado fui procurando respostas no que o Kung Fu me tinha ensinado como filosofia. Depois interessei-me mais pelo budismo, comecei a estudar o budismo. Comecei a estudar o budismo, e como veio da índia, a partir do budismo comecei a estudar o induísmo. Tive a sorte de conhecer mestres indús, indianos e não só…
Mas tudo cá em Portugal?
Cá em Portugal e depois fiz viagens para consolidar conhecimentos. Fui a Inglaterra, estudei o induísmo, e voltei ao budismo. O budismo foi a filosofia que me despertou mais a atenção. Acabei por estudar mais o budismo.
Mas entretanto tu estudaste numa escola normal…
Sim, fiz os estudos normais. Dedicava o tempo que as outras pessoas dedicavam. Também jogava à bola, também fazia outras coisas que as outras pessoas faziam, mas dediquei sempre mais algum tempo a ler e a conhecer sobre o budismo.
Que estudos é que fizeste?
Fiz escola convencional onde estudei música, na D. Pedro V em Lisboa. Acho que é a única escola, que eu saiba, que tem a vertente música. Eu segui a partir do 10º, podemos ter dois a três anos, 10º, 11º, 12º. Escolhi música, à partida porque já sabia que não queria seguir uma carreira académica, que não havia nenhum curso que me interessasse… Na escola tínhamos as disciplinas que os outros tinham, era uma variante da área de Humanísticas. Tinha colegas meus de Técnicas Administrativas, por exemplo, nós tínhamos Música. Na nossa turma, aliás, éramos poucos alunos de Música e estávamos inseridos noutra turma, tínhamos as aulas com eles que eram de Relações Internacionais. Não fazíamos instrumento, nós tínhamos História da Música, Teoria Musical e conjuntos instrumentais e vocais onde tínhamos de tocar e cantar várias coisas por partitura.   
Onde é que aprendeste a tocar viola?
Como gostava de escrever letras e queria fazer música, tinha amigos que tocavam e comecei por tocar assim… Depois estudei guitarra clássica com o professor Silvestre Fonseca. Mas foi com amigos que eu aprendi. Tive vários grupos, não foram assim muitos. Mais tarde fui com a Marta à Galiza, com o gosto da recolha da música tradicional e de recriá-la.
Agora só para retomar um bocadinho: as artes marciais, o Budismo, o Induísmo, a Ayurveda… Como é que surge a Medicina Ayurvédica?
Surge no estudo já relacionado com a Medicina de Dodos, na escola de artes marciais. Principalmente nas japonesas. Quando há pequenos problemas nós aprendemos a tratar, e há pessoas que têm mais experiência e que tratam… Nas artes marciais há muita experiência dalguns aspectos da medicina oriental, chinesa e japonesa. Depois tinha um interesse natural, porque… Eu vejo a coisa mais ou menos como um interruptor. Os pontos vitais que nas artes marciais usamos para desarmar alguém, na medicina são usados para curar. E nessa busca das origens, ao estudar o induísmo, vi que parte do sistema da medicina chinesa também já tinha sido levado por monges budistas. Houve um intercâmbio, havia coisas comuns. Ao estudar o induísmo acabei por estudar o yoga nas suas várias vertentes. E do yoga descobri a importância da saúde física e como é que isso estava ligado com a espiritualidade. Ao aprofundar o yoga conheci a medicina indiana, a Ayurveda, comecei a estudá-la depois com professores. Mesmo com os meus professores de meditação, há sempre um intercâmbio. Os professores de meditação e de yoga percebem de Ayurveda, não há assim uma diferença tão grande. O estudo surgiu naturalmente, e partiu um bocado do meu interesse. Até chegar ao ponto de descobrir várias artes marciais indianas que tinham influenciado algumas das artes marciais chinesas e que, por sua vez, também levavam à Ayurveda e às massagens. Os mestres de artes marciais também eram mestres de massagens. Usam-se técnicas do yoga com uma abordagem terapêutica que, na verdade, todas têm. Em qualquer livro de yoga, por muito mau que seja, normalmente quando se descreve uma postura descrevem sempre os benefícios e as contraindicações terapêuticas. Aprendi yoga para mim. Eu nem sequer estava interessado em aprofundar uma escola, acima de tudo o que me moveu foi o auto-conhecimento e o perceber porquê: como é que aquelas pessoas há não sei quantos mil anos sabiam aquelas coisas, como é que eles puderam descobrir? Foi um bocado tentar chegar à fonte do conhecimento. Primeiro, como é que surgiram as artes marciais, depois como é que surgiu o yoga, como é que surgiu este sistema de medicina? Foi uma curiosidade que está para além do aspecto técnico: como é que a mente humana conseguiu conceber ou lhe foram revelados estes conhecimentos, como é que nós temos acesso a isto? E em que medida é que isso pode ser importante para eu me conhecer, para eu viver melhor e para eu interagir melhor com os outros, com o meio ambiente e comigo mesmo?
Mas com o yoga melhoraste a visão…
Ah, sim. Tinha e tenho problemas de visão. Nasci sem ver. E o que eu consegui, graças a técnicas que se usam no yoga e na medicina ayurvédica, foi estabilizar a visão – tenho entre outras coisas glaucoma –, e consegui estabilizar a tensão ocular e que a doença não continuasse a evoluir. Graças a alguns exercícios. Mas nunca procurando o yoga ou a medicina ayurvédica com o objectivo de curar os meus olhos. Na verdade eu sou bastante negligente, não tenho propriamente um interesse especial em aplicar a medicina em mim… Se calhar como sempre vivi com a doença, e se calhar porque a doença me deu tantas oportunidades de reflexão e depois me levou a conhecer tantas coisas… Mas não só por isso… Não sei muito bem explicar porquê. Como sempre vivi com ela, não é que esteja acomodado. Esqueço-me um bocado que tenho este problema. Reconheço-o através das limitações que depois posso ter a ler um livro… Em função disso eu nunca procurei a medicina oriental para me curar.
 
Mas pelo que eu percebi deu-te mais reflexão, porque tiveste muito tempo para analisar as coisas de outra maneira…
Se calhar se eu não tivesse o problema de visão e se não fosse operado, nunca me tinham mandado praticar artes marciais e se calhar nunca tinha conhecido… Não sei. Nós nunca podemos prever. Ou se calhar tinha chegado lá de outra maneira. Mas na verdade condicionou a minha aprendizagem.
E baseaste-te noutros sentidos, não?
Ah, isso é um pouco um lugar-comum. Tirei cursos com pessoas invisuais e nem todos têm uma sensibilidade, nem todos têm o tacto assim tão desenvolvido. É um pouco um mito. Normalmente acontece e as pessoas têm de criar outras maneiras de substituir a visão. O olho é substituído pelos outros sentidos. Mas isto não quer dizer necessariamente que um cego dê um bom terapeuta ou um bom massagista ou que tenha uma sensibilidade extraordinária. Não é uma condição. Não se verifica sempre.
Mas voltando às massagens, já deste massagens com óleos aquecidos, não foi?
Na medicina ayurvédica, tenho trabalhado com vários mestres de meditação indianos. Também aprendi com pessoas que ensinam cá em Portugal. O que acontece na medicina ayiurvédica é que muitas vezes se usam óleos de acordo com a constituição da pessoa ou um óleo neutro. Usa-se quase sempre. E usam-se óleos muitas vezes aquecidos. Na massagem ayurvédica, seja qual for a escola, aprende-se com óleos. Na massagem de fisioterapia também usamos o óleo. Na massagem de Burt, o senhor que inventou sistemas de massagem que se usam normalmente em fisioterapia, usamos o óleo.
Mas esta massagem que utilizas na SALVA é diferente, é Shiatsu, não é?
Sim, é Shiatsu. Aqui na SALVA como normalmente trabalhamos com a medicina chinesa eu uso muito o Shiatsu. Claro que às vezes recorro aos meus conhecimentos de medicina indiana, de medicina ayurvédica e das técnicas de massagem. Shiatsu é massagem japonesa, aprendi com um professor japonês e com a excelente equipa que trabalha com ele. É diferente porque não usamos óleo, normalmente a pessoa faz a massagem vestida, ou pelo menos coberta, pelo menos na nossa escola, há escolas de Shiatsu que não… Mas nesse aspecto é diferente.
Mas tem a ver com os pontos essenciais, não é?
O Shiatsu está relacionado com o conhecimento dos meridianos e dos pontos vitais ou dos pontos de pressão que em japonês se chamam “tsubo”. Aprendemos primeiro a medir por distâncias, no corpo da pessoa. Depois com sensibilidade e com o questionar sempre vamos aprendendo… Cada vez vamos tendo uma maior capacidade de encontrar os pontos e de fazer diagnóstico, mas… É resultado de aprendizagem. Os olhos não são de grande ajuda. Deve-se aprender também pelo tacto, a sentir, e pelo questionário.
Então a pessoa entra no gabinete e perguntas como é que ela se sente? A maneira de andar, a postura?
Eu observo a pessoa desde que estou com ela.
A maneira de andar, a postura?
Tudo é importante. Todos os nossos sentidos, desde o cheirar, o sentir, temperatura… tudo. Tudo é importante para mim, como o ver e o ouvir. Tudo é importante para diagnóstico. Para mim não é importante apenas o facto deste ou aquele meridiano, esta ou aquela energia. Também é importante o aspecto físico, concreto. Onde é que há rigidez, como é que estão as articulações, qual é a amplitude articular, qual é o movimento, se a pessoa consegue levar a mão, se eu pedir à pessoa para relaxar como é que ela reage, se tenta controlar os movimentos numa situação de movimento passivo, se a pessoa deixe que isso aconteça ou não, como é que a pessoa se sente, onde é que dói… Para mim tudo isso é tão importante como os conhecimentos dos meridianos ou dos pontos vitais. Procuro fazer uma síntese de todos os saberes que aprendi ao longo da vida e da experiência. Não fiz um “delete”, por exemplo, nas técnicas que aprendi de massagem de fisioterapia…
 
Ainda não falaste no curso de fisioterapia.
Como parte da minha aprendizagem estava muito voltado para o oriente e quis completar os meus conhecimentos. Procurei uma associação que me pudesse dar também conhecimentos na área da medicina ocidental e, no caso, da massagem ocidental. Aprendi lá a massagem de fisioterapia. A APEDV é uma associação que promove o emprego e integração profissional dos deficientes visuais, neste caso, pessoas portadoras de várias deficiências visuais. Eu frequentei um curso de Massagistas Auxiliares de Fisioterapia, onde aprendemos as técnicas de Electroterapia, Cinesiologia ou Cinesioterapia, onde temos formação teórica em Anatomia e outros aspectos relacionados com a saúde. Portanto, temos um curso completo. Eu procurei este curso com dois fitos: ter também conhecimentos da medicina ocidental, como é que aborda estes problemas relacionados com o corpo e também porque eu tenho um projecto a médio-prazo que é ir à Índia, para ampliar os meus conhecimentos, e era uma maneira de ter algum rendimento. Ou seja, juntando o útil ao agradável, ter conhecimentos nessa área. E como o curso era remunerado podia também juntar algum dinheiro com o objectivo de mais tarde fazer a viagem. Tive muito boa formação. Foi inclusive o Presidente, que faleceu há pouco tempo, e fundador dessa associação, Dr. Assis Milton, que me apresentou o professor que me iria ensinar Shiatsu e o contacto para eu vir colaborar na SALVA. Portanto, é uma pessoa a quem eu devo muito da minha formação e da minha situação actual.
Voltando à viagem à Índia, para ampliares os teus conhecimentos…
Já estudei com mestres indianos e mestres que já estiveram muito tempo na Índia, o meu pai viveu na Índia, conheço pessoas que vão ao templo hindu, mas nunca fui ao espaço físico que é a Índia. Não penso estar agora muito mais tempo à espera. Se conseguir reunir as condições económicas, quero ir concretamente para Kerala, é um estado no sul da Índia, por uma razão específica. Lá a parte das massagens e das terapias físicas estão muito desenvolvidas. E porque se preserva uma arte marcial muito antiga, que é o Kalari Payato. Gostava de aprender. Depois também com a minha ida à Índia, como me sinto mais ou menos ligado com as filosofias, ia ter a oportunidade de aprofundar alguns aspectos, nomeadamente da espiritualidade hindu. E também porque Kerala teve importância na história dobudismo. Ver até que ponto podia estudar esse aspecto. Claro que o aspecto mais físico do yoga, quer sejam as posturas e os exercícios de respiração, para simplificar, também estão na minha escolha de Kerala.
Em relação à tua colaboração na SALVA? O que é que te tem trazido? Uma troca de ideias, a possibilidade de praticares as técnicas aprendidas?
Primeiro foi a oportunidade que surgiu através do Dr. Assis, como já tínhamos falado. E depois foi uma identificação com as pessoas e com um projecto. Já há muito tempo que eu tinha intenções de fazer parte ou de criar um projecto assim, que se aproximasse o mais possível da ideia que eu tenho da medicina. Se bem que eu, como sou um pouco utópico… sonho sempre ir mais longe… Desde sempre eu tenho na ideia criar um sistema de medicina tendencialmente gratuito e com base na responsabilização das pessoas pela sua própria saúde, dando formação para que as pessoas apostem na medicina preventiva. A terem um papel activo, conhecimentos práticos. Não se apoiarem só no médico ou no terapeuta, mas naquilo que podem fazer pela saúde. E acho que a SALVA também quer isso, também trabalha nessa direcção. E depois o facto de me identificar com as pessoas e ter muita curiosidade em relação à medicina chinesa, até por comparação com a medicina indiana, e mais recentemente com o Shiatsu, acho que as coisas magicamente se ajustam.
publicado por salvamedtrad às 17:45

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Terça-feira, 5 de Junho de 2007

Reviver a Tradição

Sabia que:

Os dedos das mãos e o cérebro estão em estreita ligação?

Exercitar os dedos das mãos revitaliza o cérebro e a memória?

 

Na Salva promove-se, com grande prazer, a tradição, deixada pelas nossas avós e mães, das rendas e bordados.

 

Admira-se trabalhos realizados à mão e  sempre que possível partilha-se um pouco dessa tradição.                Nossa sócia Dona Alice

 

O nosso sócio João Pereira fez a gentileza de trazer até nós a sua mãe Sra. Dona Amarilis para nos transmitir a técnica da Renda Chilena.

 

Dona Amarilis aprendeu esta arte com apenas 13 anos e neste momento faz trabalhos lindíssimos por encomenda.

 

Com 78 anos encontra-se com uma cabeça e memória de invejar a qualquer um. Para além de que faz ginástica todos os dias.                                                 Dona Amarilis

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                     

                                                                           

                                                                                                               Renda Chilena

 

Dona Victória tem 87 anos e também ocupa o seu tempo com rendas e bordados. 

 

É uma senhora muito curiosa e criativa, que gosta muito de aprender (aprendeu a tocar piano aos 77 anos).

 

Aprendeu a bordar em criança, a fazer quadros  e painéis de tapeçaria de arraiolos há cerca de 15 anos e a fazer renda de bilros por volta dos seus 10 anos. 

                                                                                                               Dona Victória

Fez diversas toucas de bébé de cambraia, com aplicações de bordado inglês e rendas.

 

A sua criatividade também se manifestou na confecção de um vestido de criança aproveitando amostras de tecidos.

Para ela "só uma pessoa com muita paciência e criativa conseguiria fazer um vestido assim",

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     

 

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publicado por salvamedtrad às 14:46

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YAKUZEN

AS CORES

 

 

YAKUZEN - Dieta semanal baseada nas cores dos alimentos

e no princípio de equilíbrio entre as energias Yin e Yang. Tem como

objectivo o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia no nosso

organismo.

 

1 - DOMINGO: Todos os alimentos brancos.

Exemplo: Pão branco, lacticínios: iogurte, leite, queijo fresco, natas e cremes,

hortaliças e cereais; nabo, cebola, couve-flor, arroz, aveia, peixes brancos

(bacalhau, garoupa, pescada, chocos), etc.

 

2 - SEGUNDA: Predominância da côr azul e transparente. Líquidos.

Exemplo: Água, chás, sumos e sopas (não comer nada sólido). Colocar na sopa,

para além de legumes, batatas e hortaliças. O roxo azulado também poderá ser

utilizado, como a beringela, o repolho, o pimento e todos os vegetais roxos.

 

3 - TERÇA: Cores relacionadas com o fogo: vermelho, castanho e cinzento.

Exemplo: Hortaliças, tomate, pimento vermelho, rabanetes, feijão vermelho e

frutos (maçãs, cerejas, ameixas, morangos, etc.). Pratos como arroz de tomate,

arroz de polvo, massas com tomate e pizzas, por exemplo.

 

4 - QUARTA: Misturar todas as cores possíveis.

Exemplo: Saladas de fruta, saladas de hortaliças mista, arroz com cenoura

e ervilhas, arroz de marisco, etc.

 

5 - QUINTA: Predomina a cor das árvores: verde.

Exemplo: Chá verde, saladas verdes, brócolos, couves, grelos, pimento verde,

feijão verde, favas, ervilhas, espinafre, agrião, repolho, cremes e molhos verdes; pastéis e massas verdes, arroz de grelos e pratos com grelos, etc.

 

6 - SEXTA: Cor de rosa.

Exemplo: Várias combinações utilizando tomate, beterraba,

pimento vermelho e rabanetes.

Alguns peixes ou mariscos também têm cor rosada.

Para sobremesa, principalmente com morangos ou cerejas,

fazem-se doces rosados.

 

7 - SÁBADO:Preto e amarelo.

Exemplo: pratos à base de feijão preto, cenoura, abóbora ou batata. Chocos

com tinta. Aqueles que comem carne, devem fazê-lo aos sábados.

Quanto às sobremesas, pode-se comer chocolates

bem como doces com ovos.

 

 

 

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publicado por salvamedtrad às 13:57

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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

História da Salva

A SALVA No Tempo

A SALVA - Associação Inernacional de Medicinas Tradicionais e Actividades Saudáveis existe oficialmente em Portugal desde 1999. Mas o seu verdadeiro berço é o Oriente. E a idéia de criar esta associação nasce realmente em 1994. 

Ainda no Japão, mas já com Portugal como destino, Francisco Castro aconselha-se junto do Professor Osamu Nagura, seu mestre, quanto à melhor forma de desenvolver a medicina chinesa no nosso país. É aí que se coloca a possibilidade de formar uma instituição que congregue pessoas interessadas em promover a Saúde através das medicinas tradicionais. A Salva começa a ganhar contornos.

Chegado a Portugal, o Professor Castro faz um levantamento do potencial natural do país, designadamente em termos de palntas medicinais, e parte depois para a concretização da Salva. Mendes do 1ª Sede da Salva                         Carmo, um amigo desde o seu primeiro dia em terras portuguesas, apresenta-lhe Maria Manuela Marques. É ela que vai trabalhar no sentido de reunir os elementos necessários para o arranque da Associação. A primeira reunião da Comissão Instaladora acontece em Setembro de 1999. A Salva é uma realidade. A sua designação traduz a ideia de cura, através da planta medicinal com o mesmo nome, e de saudação, entendida esta como um acto de respeito e reverência pelo próximo e por toda a natureza.

Em Outubro Fazem-se as primeiras inscrições de sócios. Ascenção dos Anjos é a primeira sócia honorária da Salva. Deixa-nos aos 98 anos, mas continua a inspirar aqueles cuja tarefa é aliviar a dor de quem sofre. Natural de Monforte da Beira, dedicou-se desde a juventude a colher plantas medicinais que guardava metodicamente em saquinhos. Quem estivesse doente na região, podia sempre recorrer aos cuidados desta exímia conhecedora de produtos naturais.

A ideia do associativismo na área das medicinas tradicionais e naturais surge como forma de alcançar uma melhoria da qualidade de vida dos sócios e da Professor Osamu Nagura          comunidade, sem qualquer descriminação de raça, sexo, ideologia política, crença religiosa ou nacionalidade.

Tendo como primeiro objectivo a preservação da saúde por meios naturais e tradicionais, a Associação pretende também incentivar e divulgar hábitos associados ao consumo de produtos naturais, colaborar com entidades de carácter público ou privado, vocacionadas para o ensino das medicinas tradicionais e promover uma comunicação privilegiada entre técnicos e utentes dessas medicinas. A Salva defende a legalização das terapias tradicionais, assim como a sua integração no exercício da medicina convencional, realçando que a prevenção deve ter sempre primazia sobre medicinas estritamente curativas.

A Associação divulga e promove eventos culturais. Marca presença na Feira do Mel de Cascais e organiza o III Fórum de Saúde Natural deste concelho.

E Outubro de 2000, o Professor Nagura, através do seu discípulo Francisco Castro concretiza a representação, em Portugal,  da Universidade Nacional de Pequim e começa, com outros profissionais, a ministrar o curso de Medicina Tradicional Chinesa nas instalações da Salva.

Paralelamente, a Associação vai promovendo outras acções de formação relacionadas com as medicinas naturais.

Sendo a alimentação uma das preocupações destas     Dr. Francisco Castro             medicinas, a própria Salva coloca ao dispor dos associados e do público em geral um refeitório onde se come e se aprende até a preparar uma refeição saudável. Além dos cursos de culinária terapêutica (Yakuzen), são organizadas aulas de Kikoo.

A Salva tem presentemente delegações na Madeira e no Brasil.

Nesta sua caminhada, a Salva não deixa de defender a pacificação interior e a harmonia em toda a natureza, trabalhando o crescimento espiritual e a projecção da paz.

 

 

 

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Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

Apresentação.

        

 

MANTER-SE SAUDÁVEL é

uma questão de cultura e de formação.

Cada um de nós deve cuidar de si próprio, contribuir para a promoção da Saúde junto dos familiares e amigos, assim como da comunidade em que vive.   

 

Salvia Officinalis 

  

PROMOVER A SAÚDE implica fazê-lo nos seus diversos aspectos - físico, mental, social, ecológico e espiritual - sobretudo através do incentivo de diferentes formas de educação profissioal e da organização, execução e divulgação extensiva de acções saudáveis.

 

PROMOVER A SAÚDE com o desenvolvimento de Acções Criativas e Variadas:

-   com a prática das medicinas tradicionais e naturais;

-   com a divulgação dos hábitos de consumo de produtos naturais e biológicos;

-   com a promoção e divulgação de hábitos de defesa do meio ambiente;

-   com a realização de acções de formação profissional nas áreas das medicinas tradicionais e naturais;

-   com a promoção de eventos ecológicos, culturais e artísticos, nacionais e internacionais, quando    relacionados com os produtos e as práticas naturais ao serviço da saúde;

-   com a realização de programas relacionados com espaços de repouso e lazer.

 

 

 

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publicado por salvamedtrad às 16:25

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