Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Actividades dos Sócios da Salva

 

Carlo Maria Bloser

 

 

Carlo Maria Bloser nasceu em Dresden, na Alemanha, em 1929. Estudou Direito e depois Arquitectura, que escolheu como profissão.

 

Em 1972 mudou-se para o Mónaco da Baviera, onde continuou a trabalhar como arquitecto, acabando por descobrir a sua vocação pela pintura a aguarela, tendo realizado, nessa cidade, as suas primeiras exposições, com êxito.

 

Encontra-se em exposição parte das suas obras, na Biblioteca Municipal de Cascais em S. Domingos de Rana, até ao final de Outubro.

 

 

 

 

 

 

 

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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Feng Shui

 

       

 

Para conhecermos um bocadinho do Feng Shui, torna-se quase necessário procurarmos saber o que é a energia e como funciona essa energia, nos sítios, edifícios, pessoas e animais.
 
A terra, como ser vivo que é, emana uma série de energias próprias, chamadas de energia telúrica.
 
A emanação da energia telúrica ocorre a partir do centro da Terra, subindo perpendicularmente à superfície terrestre. Como todas as energias, vai afectar os seres vivos, plantas, animais e os homens, de forma positiva (magnetismo) ou negativa (veios de água subterrânea). 
 
Antigamente respeitava-se a natureza e seguiam-se uma série de regras, antes de construir casa, vilas ou cidades. Observava-se os animais, investigava-se e estudava-se o terreno, para determinar se o local não era insalubre, evitando problemas futuros, como doenças e má sorte.
 
Por meio da radiestesia, astrologia e geobiologia, os antigos chineses praticantes de Feng Shui determinavam com precisão os locais onde haviam emanação dessas energias nocivas, determinadas por – pontos geopatogénicos – conhecidos por “portas de saída do dragão” e “veios do dragão” – aonde havia rios subterrâneos.
 
A partir de 1970 surge a geobiologia como ciência que se preocupa em estudar as diferentes relações entre o meio e a saúde dos seres vivo.
 
Essa ciência, nascida dos estudos e observações de vários radiestesistas, comprovou a relação causa e efeito entre a exposição às “emanações telúricas” e as alterações na saúde dos seres vivos.
 
Actualmente, a geobiologia usa informações obtidas por meio da astrofísica, geofísica, geologia, biologia, hidrologia, electrónica, ciências alternativas, esotéricas e, principalmente, da radiestesia.
 
Os profissionais, através do uso de diversos instrumentos, medições e estudos, conseguem determinar se o ambiente está doente e desequilibrado, a causa e foco da doença, os principais efeitos e as curas necessárias.
 
Um ambiente doente e desequilibrado pode causar nos seus frequentadores:
 
o       distúrbios mentais e psíquicos
o       stress, tenção, nervosismo e agitação
o       dificuldade e bloqueio de criação e agitação
o       bloqueio, perdas e estagnação profissional
o       perdas e bloqueio financeiro
o       insónias e distúrbios de sono
o       ansiedade e depressão
o       retenção de líquidos
o       dores de cabeça e no corpo
o       doenças
 
 
  
O que é o Feng Shui?
 
O Feng Shui é a antiga arte chinesa de criar ambientes harmoniosos, tendo surgido há cerca de 5.000 anos, nas planícies agrícolas da China Antiga.
 
Desde então, tendo sofrido de alterações e evoluído chegou até ao dia de hoje, surgindo como uma disciplina capaz de oferecer um sistema completo, ligando-nos intimamente à natureza e ao Cósmico.
Os diagnósticos e resoluções elaborados são capazes de resolver quase todos os problemas envolvendo casas e as pessoas que moram nelas.
 
 
 Esta antiga arte chinesa visa harmonizar o ambiente em que as pessoas vivem e trabalham, proporcionando uma vida mais feliz e cheia de bênçãos cósmicas.
 
Através dos séculos, as suas leis e princípios foram desenvolvidos e transmitidos oralmente de Mestre para discípulo.
 
Para se estudar mais profundamente o Feng Shui, deve-se ter em conta, que se torna necessário fazer um estudo aprimorado e profundo dos 64 exagramas do I Ching e também das leis do yin yang, os opostos complementares, e dos cinco elementos e seus relacionamentos.
 
Todo este estudo é necessário para o modo chinês de ver e entender o mundo e o universo, com os seus relacionamentos e eternos ciclos de mudança.
Trazem em constante lembrança que - “Mudança é a Lei da Vida”.
 
Na natureza, tudo muda e nunca é estável observando o símbolo que representa o yin e o yang. O eterno processo de mudança e mutação mostra ao homem que toda a natureza, o universo inteiro, estão em constante mutação e evolução nunca estagnando e parando no tempo.
Logo, deveríamos agir desta maneira em relação às nossas vidas.
 
Negligenciar que as coisas se transformam, é fechar os olhos para eventos que sentimos durante toda a nossa vida”.
 
O que esperar do Feng Shui?
 
Os efeitos do equilíbrio alcançado com o Feng Shui podem ser sentidos em todos os aspectos da nossa vida.
Ajuda-nos a recuperar e manter a saúde física, emocional e espiritual, harmonizando os nossos relacionamentos.
Colabora também nos aspectos ligados à prosperidade, proporcionando o surgimento de novas oportunidades e o aumento de ganhos financeiros, além de dar-nos a chance de prevenir problemas legais, brigas ou roubos.
 
No entanto, não devemos canalizar para o Feng Shui todas as nossas expectativas de mudança, visto que nem sempre as fortunas ou desgraças estão relacionadas somente ao Feng Shui.
 
O Feng Shui não oferece cura para todos os problemas da humanidade. Ele deve ser entendido como um dos vários sistemas existentes da filosofia chinesa e não como um elixir para todos os males. Ele não traz sucesso da noite para o dia, nem é uma mágica milagrosa. Mas, se aplicarmos os seus conceitos cuidadosamente, ele fará as nossas vidas mudarem de rumo.
 
 
Na cultura chinesa entende-se que as características da vida de uma pessoa são determinadas por cinco factores:
 
  1. Ming ou Destino – É o que se traz de antes do nascimento. São as características imutáveis da vida, e podem ser identificadas por um mapa astrológico, por exemplo.
  2. Yun ou Sorte – São os períodos favoráveis ou desfavoráveis por que uma pessoa passa durante a vida. Podem ser também conhecidos através da astrologia.
  3. Feng Shui ou Ambiente – É a influência do ambiente em que se vive, é a qualidade da vida. Pode ser manipulado pelo homem.
  4. Daode ou Virtude – É o que se faz em benefício do semelhante e da humanidade. Está associado ao desenvolvimento moral e espiritual.
  5. Dushu ou Educação - O quanto nos dedicamos ao nosso aperfeiçoamento pessoal. Inclui o desenvolvimento mental e o auto-conhecimento.
 
Como se pode observar, o Feng Shui representa apenas uma parcela. Cabe a cada um de nós trabalhar sobre os outros aspectos para atingir uma existência plena.
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Dietas

 Dietas Alimentares

 

Dietas alimentares que contribuem para a harmonização e equilíbrio do organismo.

 

Dieta A – Sem Lacticínios

 

Retirar:

- Leite

- Iogurte

- Manteigas

- Natas

- Queijo

- Queijo Fresco

 

 Substituir por:

- Soja

  • Leite de Soja
  • Manteiga de Soja
  • Natas de Soja
  • Iogurtes de Soja

- Tofu

- Seitan

- Leite de Aveia

- Leite de Arroz

- Batidos com leite de

  Soja ou Aveia

- Água e sumos

- Manteiga de 

  vegetais cozidos,

  com azeite (*)

 

 Complementar com:

- Cereais

  • Milho
  • Trigo

- Leguminosas

  • Lentilhas
  • Feijão
  • Grão
  • Feijão verde

- Brócolos

- Algas

- Cenoura (tem muito

   cálcio)

- Nabo

- Beterraba

- Frutas neutras (que

  não sejam ácidas)

  • Papaia
  • Melão
  • Maçã
  • Pêro
  • Pêra

- Mel de cana

- Azeite e azeitona

 

Objectivo da Dieta:

Ao retirar o leite pode-se ingerir à mesma cálcio através da soja, cereais, leguminosas e frutas, com a vantagem de não se ingerir as toxinas e ácido láctico, decorrentes da lactose, e globolinas, albominas e hormonas, de origem animal contidos no leite. Evitam-se assim certas doenças transmissíveis pelo leite, como a Brucelose (transmitida pelo queijo fresco).

 

 (*) Sugestão

Manteiga de Vegetais cozidos, com azeite:

Colocar vegetais (por exemplo, batata, cenoura, etc.) cozidos no mixer, com azeite, ervas aromáticas, sal, e alho (opcional), até ficar consistente. Levar ao frio. O azeite, com o frio, solidifica-se e cria uma pasta.

 

 

Dieta B – Sem Proteína Animal

Retirar:

- Carnes todas

- Peixe

- Aves

- Ovos

- Leite

- Iogurtes

- Mariscos

- Enchidos

- Gelatina

- Gordura animal

  (bakon)

 

Substituir por:

- Soja

- Tofu

- Seitan

- Grão

- Feijão

- Algas

- Cogumelos

  

Complementar com:

- Frutas (todas)

- Legumes (todos

  excepto espinafres

  pois têm

  substâncias

  semelhantes ao

  ácido úrico)

- Azeite e azeitona

- Óleo de Sésamo

 

Objectivo da Dieta:

O principal objectivo é eliminar as toxinas provenientes da carne animal – ácido úrico, ureia, porinas (base dos ovos), colesterol, etc.

 

Observação:

Deve-se tomar bastante água para limpar as toxinas e estimular o rim.

 

 

Dieta C – Sem Sal

Retirar:

- Sal todo (inclusive

  sal marinho ou de

  rocha)

- Shoyo

- Tamari

- Caldos Knor ou

  Magi

- Sopas ou pratos

  pré-preparados

- Espinafres

- Morangos

  

Substituir por:

- Ervas aromáticas

- Aipo ( na cozedura

  de carnes ou peixe

  dá um paladar

  salgado)

- Kombu

- Molhos de tomate

  ou outros legumes

  (Beringela)

- Batata (já contém

  bastante sódio)

- Feijão verde

- Mel de cana ( rico

  em minerais – sódio,

  potássio, ferro)

- Algas todas

  

Complementar com:

- Raízes

  • Cenoura
  • Nabo
  • Beterraba
  • Batata
  • Inhame
  • Batata-doce
  • Xerobias
  • Mandioca
  • Aipim
  • Tapioca

- Leguminosas

  • Soja
  • Grão
  • Lentilhas
  • Feijão
  • Milho ( papas e maçaroca)

- Cogumelo Shitake

 

Objectivo da Dieta:

O objectivo é baixar o nível de sódio para retirar a dor (em quadros dolorosos e alérgicos) e melhorar o rim, o sono e o sistema nervoso.

 

 

Dieta D – Sem Açúcar

Retirar:

- Todo o açúcar

   branco

- Doces com açúcar

- Bolos com açúcar

- Chocolate

- Bebidas alcoólicas

- Leite de vaca

- Uva

- Figo

- Arroz e massas

- Pão

Substituir por:

- Mel de abelha

- Mel de cana

- Adoçantes de fruta

- Malte

 

 Complementar com:

- Cereais

- Frutas

- Raízes

·        Cenoura

- Legumes todos

- Leguminosas

·        Feijão

·        Grão

  

Objectivo da Dieta:

O objectivo é melhorar o pâncreas, fígado e rim. Melhorar o sistema imunitário e evitar reumatismos, infecções e alergias.

 

Dieta E – Sem Alimentos Ácidos

 

Retirar:

- Iogurtes e Kefir

- Cítricos

  • Laranja
  • Limão

- Vinagre

- Frutas ácidas

  • Morango
  • Kiwi
  • Ananás

- Pão

  

Substituir por:

- Frutas neutras

  • Papaia

- Alimentos neutros

  • Milho
  • Trigo
  • Cevada
  • Arroz
  • Cenoura
  • Alcachofra

- Tomar águas

   neutras

  

Complementar com:

- Algas

- Pectina de fruta

- Chás não ácidos

  • Chá verde
  • Chá de bolbo
  • Chá dente de leão

Objectivo da Dieta:

O objectivo é não sobrecarregar o fígado e a vesícula e ajudar o estômago (quando tem excesso de calor e acidez) e o duodeno.

 

  

Dieta F Jejum e Dieta Líquida

 

É recomendável fazer jejum de vez em quando para dar descanso ao organismo.

O jejum não deve ser demasiado prolongado e não deve pôr em risco o funcionamento do organismo na sua parte essencial.

Por isso recomendamos as seguintes regras:

 

- O jejum deve ser feito com uma regularidade de acordo com a idade da pessoa.

- Se a pessoa é muito magra não deve fazer jejum.

- Se a pessoa tem o intestino muito solto não deve fazer jejum.

- Se a pessoa tem o metabolismo muito rápido – tipo Yang – não deve fazer jejum.

- Se a pessoa tem o intestino preso deve fazer jejum.

- Se a pessoa tem o metabolismo lento – tipo Yin – e tem tendência a ter estagnação dos alimentos, deve fazer jejum.

- Esse jejum deve ser tão frequente quanto a frequência com que aconteça essa estagnação.

- Em relação à idade, as crianças e pessoas idosas não devem fazer jejum. O jejum é algo voluntário logo só os adultos o devem fazer.

- Se a pessoa tiver muito peso ou tendência para aumentar o peso facilmente, deve fazer jejum uma vez por semana.

- Se for só uma questão de intoxicação ou dificuldade metabólica, deve fazer jejum uma vez por mês.

- Uma pessoa normal deve fazer jejum nas mudanças de estação – cinco vezes por ano. Uma vez em Março, uma vez em Maio, uma vez em Agosto, uma vez em Outubro e uma vez em Dezembro.

 

 Como proceder:

- O jejum deve-se fazer durante três dias.

- No 1º dia de jejum só se deve tomar água. Não se deve comer nada.

            Deve-se diminuir a actividade física. Deve-se fazer num dia em que a pessoa possa estar recolhida – um fim-de-semana.

- No 2º dia deve-se tomar alimentos líquidos.

  Por exemplo:

            De manhã tomar batidos com frutas - maçã com leite de soja, beterraba com maçã e sumo de limão, laranja com cenoura. Deve-se evitar café e leite de vaca. Pode-se substituir por leite de soja, leite de aveia, ou leite de arroz e chá verde.

            Ao meio da manhã pode-se tomar um batido com 20% de cereais.

            Ao almoço deve-se comer sopa ou creme de legumes (bem passados).

            Á tarde pode-se tomar batidos com frutas e cereais e chás relaxantes (camomila) e digestivos.

            À noite pode-se tomar um batido com legumes cozidos (cenoura, beterraba, brócolos, couve-flor, xuxu, etc.).

            Ao serão toma-se um chá de maçã + flor de alfazema + uma folha de alface.

- No 3º dia começa-se a comer papas.

            De manhã, papas de cereais (aveia).

            Ao meio-dia, papas de milho.

            À noite papa de arroz.

- A partir do 4º dia não se pode comer comidas pesadas (carnes, queijo, ovos, etc.).

           Deve-se comer de tudo mas leve.

- É importante que a comida não contenha sal nem açúcar, nos dias seguintes.

           Deve-se dar preferência às frutas e legumes para compensar o açúcar (fruta) e o sal (legumes).

- Deve-se fazer jejum tantas vezes até o intestino regularizar.

 

 

 

 

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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

NOTÍCIAS

Notícias do Mundo e da Vida

por Pedro Vistas

 

17 de Outubro de 2007

O homem, mais por orientação cultural do Ocidente do que por natureza específica, tende a cumprir todas as possibilidades. É afinal ainda reflexo do bastião científico experimental, da exploração dos possíveis na senda de conquista da própria vida que se apresenta multiforme.
Este errático périplo por tudo, nunca alcança porém o assim intangível todo, pois que se a Vida é mutável, imponderável e irreprimível, não é por muito se experimentar, num coleccionismo de possibilidades concretizadas, que mais se dá a aproximação de uma sua realidade essencial.
A Internet, domínio de possibilidades ( ainda que orientadas, e que pela inumerabilidade ou incontabilidade de possíveis simula o transfim livre e libertador ), é deste modo, no seu exercício e oferta, mostra exemplar da nossa civilização : desamorosa, violenta, funcionalista, ilusora, pornógrafa e pedófila, consumista de consumidores em consumição.
Dizia o Bispo de Hipona : Ama et fac quod Vis ( ama e faz o que quiseres ). Indica este repto fazer o que verdadeiramente se quer, em vez de se ceder a querer tudo o que se pode. Note-se que o primeiro querer leva uma acentuação ontológica, é querer o que se é, mais ainda, o que É. O segundo querer é apenas uma volição automatizada em desejos externos ao fulcro existencial assim preterido. Deste modo, amemos e façamos o que quisermos, pois se amarmos em verdade tudo quanto façamos será Bom. As éticas e as leis, só servem a quem ainda não Vê, e não age de acordo com o Ser.
Estas considerações são tecidas a propósito de um elenco de recomendações de sítios que se assomam como refrigério onde podemos descansar do bulício de inexistir e sentir a diferença de se poder o que se Quer ao invés de apenas querer o que se pode.
 
Sugestões diversas mas não diversivas : 
 
http://www.sacred-texts.com/index.htm
 
http://www.perseus.tufts.edu/
 
http://bibliotheque.editionsducerf.fr/par%20page/2653/TM.htm
 
 

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02 de Outubro de 2007

Pudesse ter sido escutado o Silêncio de Buda, e os colóquios verbosos em seu nome calariam ante o nada que há a dizer.
Entretanto, algumas ( raras ) palavras ainda são veredas para o que há a viver.
 

           Veja-se o Programa : http://www.pauloborges.net/actividades%20a%20realizar.htm

 

 

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26 de Setembro de 2007

 

 A actividade filosófica em Portugal, nos últimos séculos foi a bem dizer nula. Que simples ideia filosófica portuguesa entrou no pecúlio da história da filosofia moderna ?          

Revista Portuguesa de Filosofia,  nº 1, Janeiro – Março, 1945.

 

Como é possível conciliar o sentido universal da filosofia com o conceito de uma filosofia radicada? O problema equivale a este : Se a ave tem asas, como se compreende que tenha pernas ?

José MARINHO, “Filosofia portuguesa e universalidade da filosofia”, in Estudos sobre o Pensamento Português Contemporâneo, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981, pp. – 9 – 10.

 

 

                                                                               

                                         

 

Da Filosofia Portuguesa

 

Portugal desencontrou-se de quem o redescobriu, uma geração de argonautas do Espírito que constituiu o olvidado grupo da Filosofia Portuguesa. A este propósito, José Marinho considera que se a filosofia é insituada, é o acto de filosofar situado, entendendo que as filosofias só transitam de país para país nas suas dimensões cultural e histórica, perdendo no trânsito o fundamental. Afirma ainda que o particular não retira o universal e que o atributo não é necessariamente secundário, em ordem de existência e valor, face ao substantivo. Haver laranjas em Setúbal e serem caracteristicamente deliciosas, não compromete o sentido e o sabor da forma universal. É do pensamento situado que nasce a universalidade da filosofia, é por aquele que esta se garante, e é ademais óptimo expediente para se remontar ao que seja a filosofia além dos esquematismos jurídicos universitários, suas compilações, e mui pouco doutas considerações sobre a filo - Sofia de que a academia fala sem no entanto o ser. De facto, a filosofia nunca é confundível com erudições de compêndios enciclopedistas, e urge diferenciar corajosamente cultura filosófica, ensino da filosofia, e experiência filosofal, discernindo além do que a ancilosada academia tornou indistintamente idêntico. O academismo, modalizado segundo os paradigmas estrangeiros, francês e alemão primeiro, e norte – americano hoje, substituiu-se aos escóis intelectuais, deste modo pervertendo uma estrutura vital e insubstituível para uma sã homeostasia portuguesa. Muito significativo é por outro lado verificar que os definidores do que seja Portugal quase nunca provieram dos meios universitários, tendo até não raras vezes desviado o seu percurso de tais vias, como foi o caso de Fernando Pessoa, que terá desistido do curso de Filosofia por amar a Verdade. Mas é certo que sem agregações comunitárias de luminares, cai a noite sem estrelas, imperegrinável. E as falsas luzes autoproclamadas pelo sistema instituído, mais ofuscam de puro negrume que conduzem ao Centro.

Dá-se o paradoxo de sermos primitivos ao nosso passado, de estarmos a viver antes de ontem, quando já se sabia o que hoje nem se nos assoma por Futuro. Este olvido é, mais que mnésico, existencial, esquecemo-nos de quem somos, Portugal é vazio de Portugueses! O momento é nevoento, mas por isso mesmo, como reza o mito, decisivo e claramente adventista.

A pretexto de uma revista sobre estes lusos, verazmente luminescentes, prestamos reverencial homenagem a quem, mais que português, foi Portugal.

 

Veja-se a nova revista Leonardo :

http://www.leonardo.com.pt/revista1/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

 

Algumas leituras de aprofundamento :

 

ANTUNES, Manuel– “Haverá filosofias nacionais?”, in Do Espírito e do Tempo. Lisboa, Ática, 1960.

CALAFATE, Pedro (Dir.) – História do Pensamento Filosófico Português. [HPFP] -  Vols : I – V,  Lisboa, Caminho, 1999-2000.

CARVALHO, Rómulo de, História do Ensino em Portugal, Lisboa, FCG, 2001.

COIMBRA, Leonardo, A Razão Experimental, Obras de Leonardo Coimbra, Porto, Ed. Lello & Irmão, Vol. II, 1983.

FERREIRA, Silvestre Pinheiro, Prelecções Filosóficas, Lisboa, IN- CM, 1996.

 GANHO, Maria de Lourdes Sirgado e HENRIQUES, Mendo Castro, Org., Bibliografia Filosófica Portuguesa (1931-1987), Lisboa, Verbo, 1988.

GOMES, Pinharanda, Dicionário de Filosofia Portuguesa, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1987.

GOMES, Pinharanda, Inquérito Sobre a Filosofia Portuguesa, Braga, Editora Pax, 1972.

 

GOMES, Pinharanda, Introdução à História da Filosofia Portuguesa, Braga, Editora Pax, 1967.

 

GOMES, Pinharanda, Pensamento Português, Braga, Editora Pax, 1969.

 

GONÇALVES, Joaquim Cerqueira, Fazer Filosofia – Como e Onde? -, Braga, Faculdade de Filosofia – Universidade Católica Portuguesa, 1995.

MARINHO, José, Estudos sobre o Pensamento Português Contemporâneo. Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981.

PASCOAES, Teixeira de, A Arte de Ser Português, Lisboa, Delraux, 1978.

 

PASCOAES, Teixeira de, A Saudade e o Saudosismo, Lisboa, Assírio e Alvim, 1988

 

PIMENTEL, Manuel Cândido, Odisseias do Espírito : Estudos de Filosofia Luso-Brasileira, Lisboa, IN-CM, 1996.

 

RIBEIRO, Álvaro, A Arte de Filosofar, Lisboa, Portugália Editora, 1955.

 

Revistas :

 

CALAFATE, Pedro, Figuras e Ideias da Filosofia Portuguesa nos Últimos Cinquenta Anos, in Revista Portuguesa de Filosofia, LI, Abril – Junho, Braga1995, pp. 355 – 376.

 

FERREIRA, João, A Existência da Filosofia Portuguesa, in Revista Portuguesa de Filosofia, XV, Abril – Junho, Braga, 1960, pp. 187 – 202.

 

FERREIRA, João, Fundamentação da filosofia portuguesa, in Álvaro Ribeiro e a Filosofia Portuguesa. Lisboa, Fundação Lusíada, 1995.

GAMA, José, História da Filosofia em Portugal -  Tópicos para um curso e indicações bibliográficas, in Revista Portuguesa de Filosofia, 38,  Braga, 1982, pp. 365-382.

RENAUD, Michel, O ensino da Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, in Revista Portuguesa de Filosofia, LI, Janeiro Abril - Junho, Braga, 1995, pp.295 – 312.

 

TEIXEIRA, António Braz, Filosofia e Religião no Pensamento Português Contemporâneo, in Revista Portuguesa de Filosofia, LI, Janeiro Março, Braga, 1995, pp. 43 – 85.

 

 

 

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07 de Setembro de 2007

 

 

Mercê de uma deficiente concepção da razão e das demais dimensões antropológicas, supõem-se as experiências espirituais, mormente as místicas, como sendo infra – racionais, e assim subjectivas, obscuras, esteadas numa qualquer primitividade entretanto suplantada pelo aclamado progresso histórico. A sociometria positivista e secularizada, justificada pelo seu triunfo técnico, é entretanto o proscénio onde comparecem a nihilização da vida, a rendição do maravilhoso ao cousificante sistema de objectos, a efemerização do quotidiano por mor da aceleração dos tempos interiores ao compasso do digital, o economicismo funcionalista desvitalizado, ou o homem como peça ou função de uma machina mundi cada vez mais literal. Se a tecnociência é o único critério avaliativo eleito, tudo o que não estiver conforme é postergado por obsoleto. O Mind and Life Institute, é rara sede onde se intenta um rumo diferente, avaliando cientificamente a contemplação, e contemplativamente a ciência, surpreendendo nas experiências místicas uma elevação supra – racional que não é senão uma avançada tecnologia espiritual, e considerando ainda a espiritualidade como a ciência maior, a Scientia Dei. Embora submetido ao risco de materialização do que é essencialmente qualitativo, dividindo assim o que é uno e unificador, e posto que na estrita dependência de uma escola budista consabidamente formal e algo desvirtuada face ao fulcro originário, este instituto ganha o interesse de incentivar os investigadores a praticarem meditação para que se dissolva a dicotomia epistemológica entre sujeito e objecto, típica da nossa herança maniqueia, omnipresente na nossa ética de bem e mal, na nossa lógica de verdadeiro e falso, na nossa ontologia de ser e não ser ou de eu e o outro, quando a vida nos apresenta uma união inextrincável ainda que de diferenças mantida.
 
Outras leituras :
Para uma diagnose de um lastro patológico no pensamento ocidental, consulte-se a esclarecedora exposição de N. MAXWELL, From Knowledge to Wisdom - Revolution in the Aims and Methods of Science, Oxford, Blackell, 1984. Para uma visão das implicações arqueológicas e alargadas que a ciência de ponta implica, vejam-se de Fritjof CAPRA, The Tao of Physics: An Exploration of the Parallels Between Modern Physics and Eastern Mysticism, Berkeley, Shambhala Publications, 1975, e de Lynne MCTAGGART, The Field, The Quest for the Secret Force of the Universe, NY, HarperCollins Publishers, 2002. Já numa perspectivação neuroteológica, leia-se de Andrew NEWBERG, e Eugene D’AQUILI, Why God Won’t go Away, NY, Ballantine Books, 2001, ou o precursor do interesse do MIT pelas avaliações neurocientíficas no âmbito da meditação, de James H: AUSTIN, Zen and the Brain, MIT Press, 1999.

 

 Mind and Life Institute

 

  

 

 

 

 

                                              

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