Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

NOTÍCIAS

Notícias do Mundo e da Vida

por Pedro Vistas

 

17 de Outubro de 2007

O homem, mais por orientação cultural do Ocidente do que por natureza específica, tende a cumprir todas as possibilidades. É afinal ainda reflexo do bastião científico experimental, da exploração dos possíveis na senda de conquista da própria vida que se apresenta multiforme.
Este errático périplo por tudo, nunca alcança porém o assim intangível todo, pois que se a Vida é mutável, imponderável e irreprimível, não é por muito se experimentar, num coleccionismo de possibilidades concretizadas, que mais se dá a aproximação de uma sua realidade essencial.
A Internet, domínio de possibilidades ( ainda que orientadas, e que pela inumerabilidade ou incontabilidade de possíveis simula o transfim livre e libertador ), é deste modo, no seu exercício e oferta, mostra exemplar da nossa civilização : desamorosa, violenta, funcionalista, ilusora, pornógrafa e pedófila, consumista de consumidores em consumição.
Dizia o Bispo de Hipona : Ama et fac quod Vis ( ama e faz o que quiseres ). Indica este repto fazer o que verdadeiramente se quer, em vez de se ceder a querer tudo o que se pode. Note-se que o primeiro querer leva uma acentuação ontológica, é querer o que se é, mais ainda, o que É. O segundo querer é apenas uma volição automatizada em desejos externos ao fulcro existencial assim preterido. Deste modo, amemos e façamos o que quisermos, pois se amarmos em verdade tudo quanto façamos será Bom. As éticas e as leis, só servem a quem ainda não Vê, e não age de acordo com o Ser.
Estas considerações são tecidas a propósito de um elenco de recomendações de sítios que se assomam como refrigério onde podemos descansar do bulício de inexistir e sentir a diferença de se poder o que se Quer ao invés de apenas querer o que se pode.
 
Sugestões diversas mas não diversivas : 
 
http://www.sacred-texts.com/index.htm
 
http://www.perseus.tufts.edu/
 
http://bibliotheque.editionsducerf.fr/par%20page/2653/TM.htm
 
 

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02 de Outubro de 2007

Pudesse ter sido escutado o Silêncio de Buda, e os colóquios verbosos em seu nome calariam ante o nada que há a dizer.
Entretanto, algumas ( raras ) palavras ainda são veredas para o que há a viver.
 

           Veja-se o Programa : http://www.pauloborges.net/actividades%20a%20realizar.htm

 

 

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26 de Setembro de 2007

 

 A actividade filosófica em Portugal, nos últimos séculos foi a bem dizer nula. Que simples ideia filosófica portuguesa entrou no pecúlio da história da filosofia moderna ?          

Revista Portuguesa de Filosofia,  nº 1, Janeiro – Março, 1945.

 

Como é possível conciliar o sentido universal da filosofia com o conceito de uma filosofia radicada? O problema equivale a este : Se a ave tem asas, como se compreende que tenha pernas ?

José MARINHO, “Filosofia portuguesa e universalidade da filosofia”, in Estudos sobre o Pensamento Português Contemporâneo, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981, pp. – 9 – 10.

 

 

                                                                               

                                         

 

Da Filosofia Portuguesa

 

Portugal desencontrou-se de quem o redescobriu, uma geração de argonautas do Espírito que constituiu o olvidado grupo da Filosofia Portuguesa. A este propósito, José Marinho considera que se a filosofia é insituada, é o acto de filosofar situado, entendendo que as filosofias só transitam de país para país nas suas dimensões cultural e histórica, perdendo no trânsito o fundamental. Afirma ainda que o particular não retira o universal e que o atributo não é necessariamente secundário, em ordem de existência e valor, face ao substantivo. Haver laranjas em Setúbal e serem caracteristicamente deliciosas, não compromete o sentido e o sabor da forma universal. É do pensamento situado que nasce a universalidade da filosofia, é por aquele que esta se garante, e é ademais óptimo expediente para se remontar ao que seja a filosofia além dos esquematismos jurídicos universitários, suas compilações, e mui pouco doutas considerações sobre a filo - Sofia de que a academia fala sem no entanto o ser. De facto, a filosofia nunca é confundível com erudições de compêndios enciclopedistas, e urge diferenciar corajosamente cultura filosófica, ensino da filosofia, e experiência filosofal, discernindo além do que a ancilosada academia tornou indistintamente idêntico. O academismo, modalizado segundo os paradigmas estrangeiros, francês e alemão primeiro, e norte – americano hoje, substituiu-se aos escóis intelectuais, deste modo pervertendo uma estrutura vital e insubstituível para uma sã homeostasia portuguesa. Muito significativo é por outro lado verificar que os definidores do que seja Portugal quase nunca provieram dos meios universitários, tendo até não raras vezes desviado o seu percurso de tais vias, como foi o caso de Fernando Pessoa, que terá desistido do curso de Filosofia por amar a Verdade. Mas é certo que sem agregações comunitárias de luminares, cai a noite sem estrelas, imperegrinável. E as falsas luzes autoproclamadas pelo sistema instituído, mais ofuscam de puro negrume que conduzem ao Centro.

Dá-se o paradoxo de sermos primitivos ao nosso passado, de estarmos a viver antes de ontem, quando já se sabia o que hoje nem se nos assoma por Futuro. Este olvido é, mais que mnésico, existencial, esquecemo-nos de quem somos, Portugal é vazio de Portugueses! O momento é nevoento, mas por isso mesmo, como reza o mito, decisivo e claramente adventista.

A pretexto de uma revista sobre estes lusos, verazmente luminescentes, prestamos reverencial homenagem a quem, mais que português, foi Portugal.

 

Veja-se a nova revista Leonardo :

http://www.leonardo.com.pt/revista1/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

 

Algumas leituras de aprofundamento :

 

ANTUNES, Manuel– “Haverá filosofias nacionais?”, in Do Espírito e do Tempo. Lisboa, Ática, 1960.

CALAFATE, Pedro (Dir.) – História do Pensamento Filosófico Português. [HPFP] -  Vols : I – V,  Lisboa, Caminho, 1999-2000.

CARVALHO, Rómulo de, História do Ensino em Portugal, Lisboa, FCG, 2001.

COIMBRA, Leonardo, A Razão Experimental, Obras de Leonardo Coimbra, Porto, Ed. Lello & Irmão, Vol. II, 1983.

FERREIRA, Silvestre Pinheiro, Prelecções Filosóficas, Lisboa, IN- CM, 1996.

 GANHO, Maria de Lourdes Sirgado e HENRIQUES, Mendo Castro, Org., Bibliografia Filosófica Portuguesa (1931-1987), Lisboa, Verbo, 1988.

GOMES, Pinharanda, Dicionário de Filosofia Portuguesa, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1987.

GOMES, Pinharanda, Inquérito Sobre a Filosofia Portuguesa, Braga, Editora Pax, 1972.

 

GOMES, Pinharanda, Introdução à História da Filosofia Portuguesa, Braga, Editora Pax, 1967.

 

GOMES, Pinharanda, Pensamento Português, Braga, Editora Pax, 1969.

 

GONÇALVES, Joaquim Cerqueira, Fazer Filosofia – Como e Onde? -, Braga, Faculdade de Filosofia – Universidade Católica Portuguesa, 1995.

MARINHO, José, Estudos sobre o Pensamento Português Contemporâneo. Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981.

PASCOAES, Teixeira de, A Arte de Ser Português, Lisboa, Delraux, 1978.

 

PASCOAES, Teixeira de, A Saudade e o Saudosismo, Lisboa, Assírio e Alvim, 1988

 

PIMENTEL, Manuel Cândido, Odisseias do Espírito : Estudos de Filosofia Luso-Brasileira, Lisboa, IN-CM, 1996.

 

RIBEIRO, Álvaro, A Arte de Filosofar, Lisboa, Portugália Editora, 1955.

 

Revistas :

 

CALAFATE, Pedro, Figuras e Ideias da Filosofia Portuguesa nos Últimos Cinquenta Anos, in Revista Portuguesa de Filosofia, LI, Abril – Junho, Braga1995, pp. 355 – 376.

 

FERREIRA, João, A Existência da Filosofia Portuguesa, in Revista Portuguesa de Filosofia, XV, Abril – Junho, Braga, 1960, pp. 187 – 202.

 

FERREIRA, João, Fundamentação da filosofia portuguesa, in Álvaro Ribeiro e a Filosofia Portuguesa. Lisboa, Fundação Lusíada, 1995.

GAMA, José, História da Filosofia em Portugal -  Tópicos para um curso e indicações bibliográficas, in Revista Portuguesa de Filosofia, 38,  Braga, 1982, pp. 365-382.

RENAUD, Michel, O ensino da Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, in Revista Portuguesa de Filosofia, LI, Janeiro Abril - Junho, Braga, 1995, pp.295 – 312.

 

TEIXEIRA, António Braz, Filosofia e Religião no Pensamento Português Contemporâneo, in Revista Portuguesa de Filosofia, LI, Janeiro Março, Braga, 1995, pp. 43 – 85.

 

 

 

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07 de Setembro de 2007

 

 

Mercê de uma deficiente concepção da razão e das demais dimensões antropológicas, supõem-se as experiências espirituais, mormente as místicas, como sendo infra – racionais, e assim subjectivas, obscuras, esteadas numa qualquer primitividade entretanto suplantada pelo aclamado progresso histórico. A sociometria positivista e secularizada, justificada pelo seu triunfo técnico, é entretanto o proscénio onde comparecem a nihilização da vida, a rendição do maravilhoso ao cousificante sistema de objectos, a efemerização do quotidiano por mor da aceleração dos tempos interiores ao compasso do digital, o economicismo funcionalista desvitalizado, ou o homem como peça ou função de uma machina mundi cada vez mais literal. Se a tecnociência é o único critério avaliativo eleito, tudo o que não estiver conforme é postergado por obsoleto. O Mind and Life Institute, é rara sede onde se intenta um rumo diferente, avaliando cientificamente a contemplação, e contemplativamente a ciência, surpreendendo nas experiências místicas uma elevação supra – racional que não é senão uma avançada tecnologia espiritual, e considerando ainda a espiritualidade como a ciência maior, a Scientia Dei. Embora submetido ao risco de materialização do que é essencialmente qualitativo, dividindo assim o que é uno e unificador, e posto que na estrita dependência de uma escola budista consabidamente formal e algo desvirtuada face ao fulcro originário, este instituto ganha o interesse de incentivar os investigadores a praticarem meditação para que se dissolva a dicotomia epistemológica entre sujeito e objecto, típica da nossa herança maniqueia, omnipresente na nossa ética de bem e mal, na nossa lógica de verdadeiro e falso, na nossa ontologia de ser e não ser ou de eu e o outro, quando a vida nos apresenta uma união inextrincável ainda que de diferenças mantida.
 
Outras leituras :
Para uma diagnose de um lastro patológico no pensamento ocidental, consulte-se a esclarecedora exposição de N. MAXWELL, From Knowledge to Wisdom - Revolution in the Aims and Methods of Science, Oxford, Blackell, 1984. Para uma visão das implicações arqueológicas e alargadas que a ciência de ponta implica, vejam-se de Fritjof CAPRA, The Tao of Physics: An Exploration of the Parallels Between Modern Physics and Eastern Mysticism, Berkeley, Shambhala Publications, 1975, e de Lynne MCTAGGART, The Field, The Quest for the Secret Force of the Universe, NY, HarperCollins Publishers, 2002. Já numa perspectivação neuroteológica, leia-se de Andrew NEWBERG, e Eugene D’AQUILI, Why God Won’t go Away, NY, Ballantine Books, 2001, ou o precursor do interesse do MIT pelas avaliações neurocientíficas no âmbito da meditação, de James H: AUSTIN, Zen and the Brain, MIT Press, 1999.

 

 Mind and Life Institute

 

  

 

 

 

 

                                              

publicado por salvamedtrad às 17:57

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